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ONG's da Guatemala impugnam candidatura de Ríos Montt

Foto lowprophyle/FlickrO general guatemalteco Ríos Montt, ex-presidente da Guatemala acusado de genocídio contra a população indígena, apresentou-se como candidato às legislativas de Setembro pelo seu partido, a Frente Republicana Guatemalteco (FRG). Mas esta quinta-feira, um conjunto de associações de vítimas da guerra civil, que devastou o país entre 1960 e 1996, resolveu impugnar a candidatura do ex-ditador que é procurado pela justiça espanhola  desde 1999. Desta forma, Ríos Montt não poderá aproveitar a imunidade para escapar às acusações que lhe são feitas.

Um porta-voz da Associação Justiça pela Reconciliação foi claro ao explicar o objectivo desta acção judicial: "O que queremos é que se anule a candidatura deste genocida e que o ponham na cadeia", afirmou Antonio caba, um sobrevivente da guerra civil.

Ríos Montt fez a instrução militar nos Estados Unidos e participou no golpe organizado pela CIA para depor o presidente Jacobo Guzmán na década de 50, após este ameaçar terminar com o monopólio da United Fruit Company. Tornou-se entretanto um fervoroso adepto duma seita evangélica da California e teve uma ascensão fulgurante na carreira militar ao lado do regime militar golpista e veio a promover ele próprio um golpe de Estado em 1982, após as presidenciais. Montt liderou uma junta militar que se dedicou à perseguição
dos adversários políticos, com tribunais especiais a serem criados para aplicar a pena de morte a supostos membros das guerrilhas.

A população maia foi a principal vítima dos massacres promovidos pela junta militar, que dizimou centenas de aldeias. A Amnistia Internacional calcula que só entre Março e Julho de 1982 tenham morrido dez mil indígenas e camponeses e mais de cem mil terão fugido das suas casas. Nos 18 meses que se seguiram, os esquadrões da morte do regime terão morto dezenas de milhar de pessoas, tornando Ríos Montt no mais sanguinário ditador da América latina, suplantando Pinochet ou Videla.

A acção de Ríos Montt não se circunscrevia ao seu país. Com o apoio do presidente Reagan, que visitou a Guatemala durante a vig|ência da junta militar e lhe forneceu material militar, Montt reconstituiu a aliança com os regimes de direita da América Central para atacar o governo sandinista na Nicarágua, uma das principais dores de cabeça para a Casa Branca na região. Foi preciso esperar até 1999 para ouvir dos EUA, pela boca do presidente Clinton, um reconhecimento e um pedido de desculpas pelo apoio à violência e repressão da ditadura na Guatemala.

O ex-ditador é procurado por genocídio, graças a uma acção nos tribunais de Madrid interposta pela prémio Nobel Rigoberta Menchú em 1999. O Tribunal Constitucional admitiu a acusação e um juíz emitiu um mandato de captura internacional contra Ríos Montt e outros responsáveis pela ditadura.

A campanha para as eleições de Setembro na Guatemala estão a ser marcadas pelo regresso do clima de violência. Desde que foi marcada a data da eleição, já foram assassinados 43 activistas e dirigentes políticos, segundo um observatório eleitoral. Estes números superam os da violência registada nas eleições de 2003. 

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