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Obama critica comportamento "vergonhoso" dos banqueiros

Obama encarregou o secretário do Tesouro Timothy Geithner de levar a mensagem aos altos quadros da finança. Foto EPAO presidente norte-americano diz que os bónus e prémios milionários que os banqueiros atribuíram a si próprios, calculados em 18,4 mil milhões de dólares em 2008, foram "o cúmulo da irresponsabilidade" e um exemplo de comportamento "vergonhoso" dos tubarões da finança, numa altura em que a economia quebrava e o Estado injectava milhares de milhões em auxílio do sistema financeiro.

 

Barack Obama fez esta crítica dura aos banqueiros após um encontro com o secretário do Tesouro Timothy Geithner. "Existirá uma altura para fazerem lucros e para terem prémios", disse Obama. "Mas esse momento não é agora. E quero enviar-lhes esta mensagem de forma muito directa, como espero que o Secretário Geithner fará".

A notícia de que os grandes gestores e banqueiros fizeram-se pagar em prémios e bónus um valor semelhante ao de 2004, quando a economia e os ganhos estavam em alta, está a indignar a opinião pública nos Estados Unidos

As palavras de Obama surgem na semana em que foram anunciados 65 mil despedimentos nos EUA e o presidente obteve a maioria na Câmara dos Representantes para o seu plano de relançamento económico, porém apenas com o apoio dos democratas. O próximo passo legislativo será o Congresso, onde muitos pedem uma fiscalização mais apertada às compensações dos gestores como contrapartida para terem acesso aos dinheiros públicos destinados ao salvamento do sistema financeiro.

As medidas aprovadas pela anterior administração Bush não fizeram nada para refrear os altos salários e Obama quer agora que as compensações dos gestores de empresas que recebam dinheiros públicos tenham um texto, ainda não quantificado, a partir do qual o montante não possa ser liquidado até o Estado ser ressarcido do que injectou na empresa. Outra das medidas que está em cima da mesa do presidente é haver cláusulas que garantam a devolução dos prémios dos gestores nas empresas que apresentem graves erros de gestão.

Os efeitos da atitude de Obama já estão a fazer-se sentir por entre a alta finança. Se alguns vêem nestas palavras um sinal de populismo, outros aproveitam a oportunidade para tentar limpar a sua imagem. É o caso de John Train, ex-gestor do Merrill Lynch e do Bank of America, que anunciou que reembolsará este último pelas despesas sumptuosas de remodelação do seu gabinete, orçadas em 122 mil dólares. E a administração do Citigroup, um dos grandes beneficiários do plano de resgate do sistema financeiro, também se viu forçada a desistir dos planos de adquirir um novo avião para os administradores, no valor de 50 milhões de dólares.

 

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