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Mega-fraude investigada em Portugal

50 mil milhões de dólares era o valor da operação, o equivalente ao custo de dez aeroportos de LisboaSe resultasse seria a maior fraude de sempre no país - pelo menos conhecida -  envolvendo verbas que dariam para construir cinco linhas de comboio de alta velocidade. Trata-se de uma tentativa de transferência de 50 mil milhões de dólares (36,6 mil milhões de euros) a partir do JP Morgan Chase, nos EUA, para um banco português. A operação está sob investigação.  


Segundo a Agência Lusa, a operação foi tentada por uma mulher não identificada, que apresentou num banco em Lisboa (cujo nome não foi revelado) um contrato de transferência interbancária, prevendo uma movimentação de 36,4 milhões de euros na primeira tranche. Embora não exista um limite definido para fazer transferências de dinheiro de Portugal para o estrangeiro e vice-versa, o valor em causa levantou suspeitas. O montante é de tal forma elevado que daria para fazer cinco linhas de comboio de alta velocidade em Portugal ou dez aeroportos de Lisboa.

O contrato 'swift' [troca directa entre bancos] previa a transferência daquele montante entre o JP Morgan Chase Manhattan Bank (EUA), e a instituição portuguesa, com uma taxa cambial pré-definida e fixa de 85 euros para cada 100 dólares (avaliando cada euro em 1,17 dólares - abaixo dos 1,36 dólares a que o euro tem sido negociado no mercado cambial). A transacção realizar-se-ia em várias tranches, com a primeira fixada em 49,5 milhões de dólares (36,4 milhões de euros).

O banco que aceitasse conduzir a operação de transferência do dinheiro receberia 2,5 por cento do montante global, isto é, 1,25 mil milhões de dólares (quase mil milhões de euros - o dobro do valor de mercado do Banif em bolsa, por exemplo). Na página quatro do contrato lê-se que "as partes têm que seguir as coordenadas fornecidas pelas regras dos bancos sobre o Acto Anti-Terrorista e o Acto Patriótico I e II. O comprador [banco que aceita receber o dinheiro oriundo dos EUA] não será considerado responsável por nenhuma lavagem de dinheiro danosa".

O Departamento Central de Investigação e Acção Penal, o Banco de Portugal e a Polícia Judiciária já estão ao corrente do processo e abriram uma investigação.

Este é o segundo escândalo que envolve o banco JP Morgan em apenas três semanas. Recorde-se que no final do mês de Abril, a justiça italiana confiscou cerca de 476 milhões de euros em activos de quatro bancos estrangeiros, acusados de fraude contra a autarquia de Milão, entre os quais se encontrava o JP Morgan.

O município processou os bancos após ter registado perdas em investimentos em derivados que comprou às instituições em 2005. Segundo a acusação, os bancos não informaram a autarquia dos riscos comportados pelos produtos financeiros. Os quatro bancos e doze dos respectivos dirigentes, assim com os dois antigos responsáveis da autarquia, são investigados por fraude agravada, em prejuízo da autarquia de Milão.

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