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Marrocos viola novamente resoluções da ONU

Fronteira do Sahara Ocidental ocupado que Marrocos transpôs violando as resoluções da ONU. Foto Wikimedia Commons.Mais uma vez, Marrocos viola as resoluções das Nações Unidas, incluindo o cessar-fogo, ao realizar manobras militares de grande envergadura na região do Sahara Ocidental ocupado. Aminetu Haidar permanece isolada na sua casa.

Marrocos passou, mais uma vez, por cima das resoluções das Nações Unidas, incluindo o cessar-fogo, e realizou manobras militares de grandes envergadura na região de Um Draiga, no sul do Sahara Ocidental ocupado, a escassos metros do muro construído pelas forças militares marroquinas e que divide a zona ocupada da zona controlada pela Frente Polisario.

A notícia é divulgada pelo jornal Canárias Ahora, cujas fontes denunciaram as manobras que tiveram início há pouco mais de uma semana e têm sido levadas a cabo sob o comando do general Bennani, Inspector-Geral das Forças Armadas Reais (FAR), que acumula com as funções de Comandante da Zona Sul desde Julho de 2004, sendo a segunda entidade na hierarquia militar, logo a seguir ao Rei.

As movimentações militares estão a realizar-se numa área que está proibida a Marrocos pelas Nações Unidas. Nas operações militares, e segundo o Canárias Ahora, Marrocos terá utilizado vários modelos de caças, nomeadamente F-5 e Mirage, para além de diferentes tipos de helicópteros. As fontes do jornal canário não puderam precisar o número exacto de forças envolvidas, mas sublinharam a sua importância e dimensão dada a presença do Inspector Geral das FAR.

A população da cidade piscatória de Dakhla, no Sul do Sahara Ocidental e já muito próxima da Mauritânia, tem sido surpreendida nos últimos tempos com o ruído ensurdecedor de aviões e helicópteros que têm participado nas manobras militares.

As manobras militares por parte de Marrocos no território do Sahara Ocidental realizam-se num momento de grande tensão, após o regresso a El Aíun da activista dos Direitos Humanos Aminetu Haidar.

O seu regresso foi acompanhado de manifestações de alegria e exaltação por parte do povo saharauí e todo o episódio que a levou à greve de fome e à sua vitória teve um impacto mediático importante na opinião pública mundial que se insurgiu em actos de solidariedade. Ao mesmo tempo, verifica-se o recrudescimento do aparato policial e repressivo nas principais cidades do Sahara Ocidental que são interpretadas também como uma clara acção de intimidação.

Aminetu Haidar regressou a El Aiún depois de uma greve de fome de 32 dias nas Ilhas Canárias. Segundo Fernando Piederahita, da Frente Polisario, citado pelo Diário de Notícias, o seu passaporte marroquino de Haidar foi devolvido à irmã, Leila, quando ela regressou a El Aiún.

Mas a activista permanece retida na sua residência que está rodeada por agentes da polícia, embora não esteja oficialmente detida em prisão domiciliária. O representante da plataforma explicou também que "Apenas os familiares mais próximos podem entrar. Militantes e jornalistas estão proibidos. Mas ela também está ainda muito frágil por causa da greve de fome. Inicialmente teve alguma febre, mas agora está a tomar os medicamentos e a recuperar aos poucos".

Ler mais em Repressão policial marroquina em El Aaíun.

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