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Manipulação mediática: Escutas tramam Berlusconi

Berlusconi manipulava tv pública e privadaO jornal La Repubblica divulgou o conteúdo de escutas telefónicas a responsáveis da televisão pública e do maior canal privado de tv (do grupo Mediaset, controlado pelo ex-primeiro-ministro), quando este estava no poder. As conversas entre eles mostram que existia uma coordenação entre tv pública e privada para adocicar as más notícias e destacar as boas novas para o governo.

Os escutados foram a antiga assistente pessoal de Berlusconi, Deborah Bergamini, que nessa altura era responsável pela programação da RAI, a tv pública italiana, bem como o então director-geral Flavio Cattaneo. Eles contactavam com o grupo privado de televisão para acertar pormenores sobre como tratar, ou ocultar, alguma notícia que fosse prejudicial ao primeiro-ministro.

A morte de João Paulo II em vésperas de eleições regionais foi um dos assuntos geridos em comum pelos responsáveis televisivos, de forma a evitar que o acontecimento pudesse potenciar a abstenção. O tratamento noticioso das sondagens que eram desfavoráveis a Berlusconi também foi objecto de atenção. Na noite eleitoral, os responsáveis da RAI sugeriram aos da Mediaset que passassem um programa de forte audiência, já que a tv pública estava obrigada a fazer a cobertura dos resultados previsivelmente desfavoráveis.

O caso está a agitar a política italiana. Walter Veltroni, o presidente da Câmara de Roma e recém eleito líder do Partido Democrático, diz que o caso é de "extrema gravidade" e que "tudo isto contradiz os princípios da livre concorrência, do mercado e dos deveres do serviço público".

A cadeia televisiva de Berlusconi nega todas as acusações e o próprio ex-primeiro-ministro acusa "as hienas e os chacais" de estarem por detrás da publicação destas escutas. A Mediaset anunciou também entregar uma queixa nos tribunais contra a Mediaset.

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