You are here

Manifestação reclama debate sobre legalização da canábis

Marcha de Lisboa junta 1500 pela legalização da canábis. Foto Lusa A maior marcha de sempre a favor da legalização da canábis juntou perto de 1500 pessoas em Lisboa. Apesar da chuva, o ambiente foi de festa ao longo de todo o cortejo. Para além de Lisboa, Porto e Coimbra a Marcha Global da Marijuana realizou-se pela primeira vez em Braga. E lançou uma petição para que a Assembleia da República discuta as alternativas à proibição.

 

A quarta edição da Marcha Global da Marijuana (MGM)realizou-se em 232 cidades do mundo. O Porto tinha recebido a Marcha de 2009 no fim de semana passado e este sábado foi a vez de Lisboa e Coimbra, onde a segunda edição da MGM juntou uma centena de pessoas. Foi também esse o número de participantes na MGM de Braga, que este ano fez a sua estreia nesta mobilização mundial contra a perseguição aos consumidores de canábis.

Na capital, os manifestantes partiram do Largo do Rato em direcção ao miradouro de Santa Catarina. Pedro Pombeiro, da organização da MGM Lisboa, diz-se muito satisfeito com a mobilização deste ano. "Conseguimos ampliar o número de debates promovidos antes da Marcha e o número de pessoas envolvidas, e aumentámos a participação na manifestação de Lisboa em relação ao ano passado, em que já tinham estado mil pessoas".

"Apesar de este continuar a ser um assunto tabu na sociedade, a Marcha prova que há muita gente mobilizada para romper com a hipocrisia e a prova disso foi termos pela primeira vez uma MGM em Braga".

Este ano, a MGM tomou a iniciativa de lançar uma petição online que obrigue a Assembleia da República a discutir a política em relação à canábis. "Em altura de campanhas eleitorais, é a altura ideal para os partidos tomarem posição. Por isso levamos à AR esta petição para os partidos fazerem um debate sério sobre o assunto", afirmou Pedro Pombeiro, lembrando o recuo do PSD na semana passada, retirando do debate parlamentar o projecto de lei que reintroduzia a criminalização do consumo.

"Os consumidores continuam a ser perseguidos desde a proibição da canábis em 1970, num contexto em que não havia liberdade, em que se proibiam livros e músicas", sublinhou o activista da MGM. "Mas depois do 25 de Abril, a liberdade não chegou a todas as áreas da sociedade e criaram-se tabus. Por isso a  homossexualidade foi crime até 1982, e o aborto até 2007. Os consumidores de canábis têm de se mobilizar para obter este direito, porque não se pode proibir com base numa fé", acrescenta Pedro Pombeiro. "A proibição continua a ser justificada em nome duma fé que uma parte da sociedade quer impor ao resto. Mas tem de haver argumentos científicos que justifiquem uma decisão com a gravidade duma proibição. No caso da canábis há a apenas a fé e o silêncio que impede o debate livre".

Termos relacionados Sociedade