You are here

Mais um suicídio na France Telecom

O presidente da France Telecom, Didier LombardUm funcionário de 51 anos da France Telecom, casado e pai de dois filhos, cometeu suicídio na segunda-feira. Desde Fevereiro de 2008, é o 24º funcionário da empresa a suicidar-se na gigante de telecomunicações francesa. O secretário-geral da CGT, Bernard Thibault, criticou a exigência de metas "inalcançáveis" a que estão submetidos os trabalhadores. O NPA, o PCF e o Partido da Esquerda exigiram a demissão do presidente da empresa.

Casado e pai de dois filhos, o trabalhador de uma central telefónica em Annecy deixou uma carta à família afirmando que o ambiente na empresa estava na causa do seu suicídio. Annie Rouennais, mulher do trabalhador, disse que a carta não deixa dúvidas sobre os motivos do suicídio. "São os sofrimentos do trabalho, é só isso", disse. Ela conta que o marido a informara em diversas ocasiões do seu mal-estar no trabalho. "Ele não era uma pessoa deprimida, era sem dúvida por vezes sensível, mas não era depressivo, amava a vida antes de tudo", recordou. "Ele falava sem cessar de todas essas reestruturações. Os cargos são impostos, não têm qualquer possibilidade de escolha", prosseguiu, relatando os métodos impessoais da empresa e "a falta de comunicação com os indivíduos".

Este caso eleva para 24 o número de funcionários da empresa que se suicidaram desde Fevereiro de 2008, atitude que os sindicatos atribuem ao stress causado pela gestão empresarial e pelas condições de trabalho.

No início de Setembro, o presidente da empresa, Didier Lombard, afirmou que a sua preocupação era acabar com a "espiral de suicídios" dentro da empresa. O presidente anunciou, então, uma série de medidas para "sair desta situação de contágio". Mas o anúncio não fez parar os suicídios.

"O que se demonstra na France Telecom, como em muitas empresas, é a forma como se relaciona o trabalho e o funcionário, ao qual se pedem objectivos cada vez mais inalcançáveis", disse o secretário-geral da CGT, Bernard Thibault. "Outra pesada tendência dos últimos anos consiste em individualizar as situações no trabalho e os objectivos, o que faz com que o trabalhador fique cada vez mais sozinho", criticou o sindicalista.

O porta-voz do Novo Partido Anticapitalista, Olivier Besancenot, disse que o presidente da France Telecom "devia ter a decência ou de se demitir ou pelo menos de se calar e não fazer as operações de comunicação que está a fazer neste momento". Para Besancenot, "não se trata simplesmente de tomar medidas parciais sobre a mobilidade, é preciso atacar a causa da mobilidade, isto é, a supressão de empregos, os métodos de gestão".

Deputados comunistas, republicanos e do Partido da Esquerda divulgaram posição semelhante.

A France Telecom tem 100 mil funcionários na França. O Estado controla 26,7% do capital da empresa, que em 2008 registou um lucro líquido superior a quatro mil milhões de euros.

Termos relacionados Internacional