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Líbano perto de nova guerra civil

libanoCombates entre o Exército libanês e militantes da organização Fatah al Islam continuaram intensos ontem pelo segundo dia consecutivo, deixando pelo menos nove mortos no campo de refugiados palestino de Nahr al Bared, perto de Tripoli, no norte do país. Os combates já configuram o mais sangrento episódio interno ocorrido no Líbano desde a guerra civil (1975-1990).

As hostilidades começaram domingo e já causaram a morte a pelo menos 60 pessoas. Durante o dia de ontem, colunas de fumo foram vistas a quilómetros de distância e o som da artilharia era audível de outras cidades. Os militares usaram tanques e bombardearam o campo sem piedade. Além de causar a morte de civis, provocaram um isolamento que levou à falta de alimentos e medicamentos no campo, onde vivem pouco mais de 30 mil palestinianos.

Organizações humanitárias acusaram o Exército libanês de atacar indiscriminadamente o campo e não permitir o acesso aos feridos.

O porta-voz do Fatah al Islam, Abu Salim, ameaçou levar a guerra para fora da cidade se o Exército continuar os bombardeios. "Eles não estão apenas a disparar, estão a descarregar a artilharia cegamente", disse. O Fatah al Islam é apontado como braço da rede Al Qaeda. O grupo nega, mas admite que concorda com alguns dos métodos do grupo liderado por Osama bin Laden.

Devido a um acordo de 1969, assinado no Cairo, as forças de segurança libanesas não podem entrar nos 12 campos de refugiados palestinos que existem no Líbano. A segurança nesses locais é responsabilidade das facções palestinas.

As hostilidades tiveram início no domingo, quando forças de segurança libanesas tentaram prender suspeitos de um roubo a banco no centro de Trípoli. Os suspeitos, membros do Fatah al Islam, resistiram à prisão e outros militantes atacaram postos militares, matando vários soldados libaneses.

O Exército respondeu bombardeando o campo de Nahr al Bared e cercando o edifício no centro de Trípoli. A cidade tornou-se um campo de batalha, com civis no fogo cruzado, enquanto os militares tentavam tomar o prédio.

O primeiro-ministro libanês, Fuad Siniora, acusou a Síria de estar por trás dos atentados e dos confrontos em Trípoli. "Tentam usar o medo como arma e usam os palestinos como marionetes", disse.

Segundo Siniora, o objetivo da Síria é impedir o julgamento dos autores do assassinato Rafik Hariri, em 2005.

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