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João Cravinho acusa PS de incompreensão do fenómeno da corrupção

eurosEm entrevista à Visão, o ex-ministro e deputado socialista autor de um pacote legislativo para combater eficazmente a corrupção, diz que foi "até ao limite do que podia". E não poupa críticas ao seu partido na forma como encarou as suas propostas: "Foi um dos maiores choques da minha vida ver que aquela matéria causava um profundo mal-estar, era como que um corpo estranho no corpo ético do PS", afirma Cravinho.

"Não contava com uma atitude de absoluta incompreensão para a natureza real do fenómeno da corrupção" dentro do seu próprio grupo parlamentar, disse João Cravinho, que se recusa a fazer previsões sobre quanto tempo mais vai demorar a aprovação de novas leis anti-corrupção, embora considere que o PS não obrigará Cavaco Silva a repetir o discurso de Outubro do ano passado, centrado precisamente neste tema.

Actualmente colocado na administração do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD), Cravinho recorda nesta entrevista as divergências com a liderança parlamentar sobre a natureza do fenómeno da corrupção: "O presidente do grupo [Alberto Martins] disse que o fenómeno existia, mas que Portugal não estava numa situação particularmente gravosa. Pelo contrário, nas comparações internacionais estava muito bem. Fiquei de boca aberta", revela o ex-deputado.

"Um dos nossos grandes problemas é a corrupção do Estado, a apropriação de órgãos vitais de decisão ou da preparação da decisão por parte dos lóbis. Embora, aparentemente, tudo se faça segundo a lei, com mais ou menos entorses", afirma João Cravinho, que também considera que na proposta que o governo mantém, "é muitas vezes impossível fazer prova desses crimes".

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