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Israel e Hamas discutem trégua no Cairo

Palestinianos rezam diante dos corpos de algumas das 43 crianças mortas na escola da ONU do campoo de refugiados de Jabalyia. Foto EPA/MOHAMMED SABERO Egipto anunciou que representantes de Israel, do Hamas e da Autoridade Palestiniana aceitaram reunir-se esta quinta-feira no Cairo, separadamente, com o governo egípcio, para discutir o plano de cessar-fogo proposto pelos governos egípcio e francês. Trata-se de "delegações técnicas" e o plano ainda não é muito claro, mas sabe-se que a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, pressionou Tel Aviv a aceitá-lo; por outro lado, a Síria, aliada do Hamas, já o aceitou. Entretanto, depois de uma trégua de três horas para fazer chegar ajuda humanitária a Gaza, o ataque israelita foi retomado. Mas Tel Aviv não aprovou a "terceira fase" do ataque, em que as suas tropas se internariam profundamente nas zonas urbanas do território.

O balanço macabro da invasão israelita a Gaza continua a crescer. Segundo os serviços de emergência da Faixa de Gaza, pelo menos 702 palestinianos morreram e 3.100 ficaram feridos desde o início da ofensiva, no dia 27 de Dezembro. Onze israelitas morreram no mesmo período, entre civis e militares.

Israel lançou quarta-feira milhares de panfletos sobre Rafah, no Sul da Faixa de Gaza, instando a população a sair das suas casas e fugir dos bombardeamentos, que se seguiram pouco depois. Mas os palestinianos de Gaza não têm para onde fugir: não há refúgios seguros, nem sequer os estabelecidos pela ONU, que já foram bombardeados pela artilharia israelita três vezes. O exército israelita disse que os bombardeamentos da noite de quarta-feira tiveram como alvo os túneis escavados entre Gaza e o Egipto, que parecem difíceis de destruir, já que foram alvejados inúmeras vezes desde o início da invasão.

O plano de paz do Egipto e de França propõe uma trégua que permita a abertura de um corredor humanitário para levar ajuda a Gaza e dar tempo a negociações de um cessar-fogo duradouro. Iniciar-se-iam então reuniões entre palestinianos e israelitas para negociar a reabertura das fronteiras, o fim do bloqueio e o controlo das passagens fronteiriças. As autoridades do Cairo convidam também a Autoridade Palestiniana e todas as facções a unir esforços na procura de chegar a um acordo de reconciliação nacional.

O plano não menciona uma das principais exigências de Israel, a adopção de medidas para impedir o rearmamento do Hamas.

Ahmed Yusuf, um porta-voz do Hamas em Gaza, disse ao site noticioso israelita Ynetnews que considerava possível que a delegação do Hamas possa chegar a um acordo no Cairo em 48 horas, recordando que o movimento de resistência islâmica pretende o fim do bloqueio e do boicote internacional ao Hamas.

O mesmo porta-voz disse ao Guardian que o movimento reconhece que a iniciativa franco-egípcia tem muitos pontos positivos, mas também pontos que merecem uma consideração mais cuidadosa.

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