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Israel

MAIORIA QUER QUE OLMERT SE DEMITA  olmert
O governo israelita está debaixo de fogo. Para além dos escândalos de corrupção e de assédio sexual que afectam militares e políticos, sofre de uma enorme erosão interna depois da derrota na guerra do Líbano. Segundo uma sondagem, a maioria dos israelitas quer que Ehud Olmert e Amir Peretz se demitam. No plano externo, um relatório da ONU confirma a utilização de bombas de fragmentação e os Estados Unidos foram obrigados a iniciar uma investigação.

Segundo uma sondagem do jornal israelita "Yedioth Ahronoth", 63% dos eleitores exigem a renúncia do primeiro-ministro Olmert, líder do Partido Kadima, que está há menos de cinco meses no poder. 74% quer a demissão de Peretz, ministro da Defesa e líder do Partido Trabalhista. Segundo a mesma sondagem, se Olmert fosse a eleições perderia contra Benjamin Netanyahu, do Likud, por grande diferença. A derrota de Israel no Líbano, governado pelo Kadima em coligação com os trabalhistas, terá benificiado sobretudo os partidos da direita nacionalista. O Kadima, que conseguiu 29 lugares nas eleições de Março, elegeria hoje 17. O Likud passaria de 12 para 20. Os trabalhistas passariam de 19 para 11. Só 24% votaria em Olmert, contra 45% em Netanyahu.

Para 63%, o general Halutz não actuou correctamente durante a guerra. Olmert, enfrentando crescentes protestos populares, prometeu anunciar uma investigação no próximo domingo, quando começa a semana de trabalho em Israel, e após a reunião semanal do Conselho de Ministros. E o general Dan Halutz, Chefe do Gabinete Militar de Israel, admitiu pela primeira vez que ocorreram falhas na operação no Líbano. Numa carta dirigida aos soldados, Halutz afirmou que os conflitos revelaram deficiências na logística militar, nas operações e no comando. Além das críticas que enfrenta pelo comando das operações, naquela que é a primeira derrota militar de Israel desde a sua fundação, Halutz está envolvido num escândalo de venda de acções.

Mas o governo israelita não está apenas de baixo de fogo interno. Um relatório das Nações Unidas afirma que Israel usou bombas de fragmentação em  249 locais no sul do Líbano durante a última guerra. A Human Rights Watch já tinha divulgado esta informação, quando estes engenhos mataram 12 pessoas numa pequena localidade libanesa. Este tipo de armas não tem qualquer precisão e não pode ser usado em zonas povoadas. O Departamento de Estado norte-americano está a investigar a utilização de bombas de fragmentação de fabrico americano por parte de Israel. Este uso indevido teria violado acordos secretos entre os dois países, disseram fontes militares ao New York Times. Estas investigações resultam da informação pública de que engenhos deste tipo de fabrico americano teriam sido encontrados em vários locais do Sul do Líbano. O porta-voz do Departamento de Estado, Gonzalo Gallegos, disse: «Ouvimos a alegação de que esse tipo de munições foram usadas e estamos à procura de mais informação». Várias fontes militares afirmaram duvidar que esta investigação acabe em qualquer tipo de sanção a Israel. Mas a própria investigação, que não foi tornada pública mas confirmada em resposta a perguntas dos jornalistas, parece ser uma forma de a Casa Branca precaver-se já em relação às esperadas criticas internacionais.

Israel usa bombas de fragmentação americanas desde os anos 70. Seria suposto serem usadas apenas contra alvos militares. Já na invasão do Líbano, em 1982, Israel usara estas armas contra civis o que obrigou a administração Reagan, quando a informação se tornou pública, a suspender por seis anos a venda deste tipo de armamento aos israelitas.

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