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Irão: regime organiza manifestação de apoio

Alí Jamenei, Líder Supremo do Irão.Dezenas de milhares de iranianos participaram esta quarta-feira em manifestações organizadas pelas autoridades para apoiar o regime e pedir a condenação dos líderes reformistas, mais pressionados do que nunca a desistirem dos protestos nas ruas.

Em resposta a um apelo do governo e pedindo punição para os que se manifestaram no domingo passado, dezenas de milhares de iranianos vieram hoje para Enghelab, a praça central de Teerão. A demonstração de força revela as fracturas da sociedade iraniana, mas também a capacidade limitada de mobilização do regime que tudo tentou para poder construir a imagem de uma condenação popular aos opositores do regime. Segundo o El País, apesar da enorme campanha de propaganda e dos meios de transporte disponibilizados, a multidão estava muito aquém da que participou na marcha da oposição em 15 de Junho, antes das autoridades proibiram as manifestações.

As manifestações (só na capital realizaram-se vários cortejos) foram organizadas em resposta aos protestos da oposição, que no passado domingo, no feriado da Ashura, a mais importante das festividades xiitas, deram origem aos maiores e mais violentos protestos dos últimos meses que foram acompanhadas de uma dura repressão policial.

"Desde domingo que a televisão lançou uma campanha de propaganda para nos convencer de que o tumulto no domingo era uma blasfémia contra o dia da Ashura", diz um professor universitário, citado pelo El País, referindo-se ao feriado religioso que comemora a morte de Hussein, neto de Muhammad. Acrescentou ainda que "Eles estão a brincar com os sentimentos religiosos, pessoas simples, especialmente de aldeias, que não têm forma de saber o que realmente aconteceu naquele dia". Segundo o mesmo jornal espanhol, as autoridades registaram oito mortos em protestos embora sites reformistas façam eco de um relatório policial onde este número de eleva para trinta e sete.

Em Teerão, mas também em dezenas de outros protestos na província, multidões vestidas de negro gritaram “Morte aos hipócritas”, “Morte a Moussavi”, o antigo primeiro-ministro e ex-candidato presidencial, em apoio do Líder Supremo Ali Jamenei. Foram também queimadas bandeiras dos EUA e Reino Unido, países acusados de instigarem os protestos.

Mas em conjunto com os apoiantes emocionados do regime, havia muitos funcionários deslocados dos seus escritórios e empresas públicas, alunos que não tiveram aulas, entre outros dispensados das suas funções profissionais que chegaram em autocarros oriundos das cidades dormitório que circundam a capital.

Ali Soleimani, o responsável pelas Relações Públicas, anunciou que o Ministério da Educação chegou mesmo a suspender os exames que estavam marcados em todas as escolas de modo a que alunos e professores participassem na manifestação. As escolas teológicas fecharam manifestando a sua repulsa pela “blasfémia de Ashura”. O metro não cobrou bilhetes.

Segundo o Público, esta manhã, o procurador-geral iraniano, Mohseni Ejeie, revelou num encontro com deputados conservadores que foram iniciadas “acusações” contra Mousavi e Mehdi Karroubi (o outro candidato da oposição). No entanto, o chefe adjunto da polícia iraniana garantiu que a sua prisão “não está na ordem do dia”pois não querem “dar importância prendendo-os”. Confirma-se assim o receio de que este passo possa conduzir a novos protestos dos opositores.

Contudo, depois dos protestos de domingo, o cerco em torno dos líderes da oposição apertou. Segundo o Público, o cineasta Mohsen Makhmalbaf, apoiante de Mousavi ouvido pela BBC, contou que o ex-primeiro-ministro “está a ser vigiado a todo o momento” e depois de vários dos seus colaboradores terem sido detidos “já não pode sequer falar ao telefone”.

Esta quarta-feira, o seu sobrinho, Seyed Ali Mousavi, morto no domingo nos tumultos com a polícia, foi a enterrar no principal cemitério de Teerão, mas só depois de a família se ter comprometido a realizar um funeral longe dos olhares públicos.

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