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Honduras: Brasil pede maior envolvimento internacional

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Celso Amorim. Foto de World Economic Forum O ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Celso Amorim, pediu à secretária de Estado americana, Hillary Clinton, "maior engajamento" dos EUA na crise política das Honduras. O mesmo pedido foi feito ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e ao da OEA, José Miguel Insulza. O presidente Lula da Silva, do Brasil, disse domingo que não aceita ultimatos de um governo "golpista" e que o Brasil não negoceia com quem "usurpou o poder".

Lula da Silva respondeu desta forma ao prazo de 10 dias dado pelo governo interino das Honduras para que o Brasil defina o estatuto do presidente deposto Manuel Zelaya, que está refugiado na embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, desde a semana passada.

"O governo brasileiro não acata ultimato de golpista, e nem o reconheço como governo", afirmou o presidente na Ilha Margarita, na Venezuela, onde participou da 2ª Cúpula América do Sul-África.

"A palavra correcta é golpista. Usurpador de poder. Essa é a palavra correcta, e o governo brasileiro não negoceia com ele."

Lula da Silva disse ainda que o Brasil "tem dentro da sua embaixada um presidente legitimamente eleito pelo voto popular do povo de Honduras". O governo interino das Honduras, comandado por Roberto Micheletti, não é reconhecido pela comunidade internacional.

Já o ministro brasileiro dos Negócios Estrangeiros, Celso Amorim, citou a recusa do governo interino em permitir a entrada de diplomatas da OEA em Honduras, e a possibilidade de a embaixada brasileira perder o estatuto diplomático como casos "graves" que merecem a atenção da comunidade internacional.

O ministro brasileiro também demonstrou "preocupação" quanto às declarações do embaixador americano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Lewis Amselem, que descreveu a volta de Manuel Zelaya a Honduras como "irresponsável e insensata". Nesta segunda-feira, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Brasil fez uma nova notificação ao Conselho de Segurança da ONU, citando as ameaças à embaixada brasileira nas Honduras.

"Nosso governo acredita que o Conselho de Segurança deve ser informado dos acontecimentos para que possa tomar as medidas que considerar apropriadas, no tempo certo", diz o documento.

Governo das Honduras fecha emissoras pró-Zelaya

Militares a mando do governo usurpador hondurenho entraram nesta segunda-feira nas instalações da Rádio Globo e da emissora de televisão Canal 36, na capital, Tegucigalpa, e obrigaram as duas empresas a encerrar as suas transmissões.

Tanto a Rádio Globo quanto o Canal 36 são identificados como favoráveis ao presidente deposto Manuel Zelaya. Os equipamentos usados para as transmissões das duas emissoras foram levados pelos militares.

O encerramento dos dois meios de comunicação social acontece um dia depois de o governo de Micheletti ter decretado um estado de sítio de 45 dias que suspendeu garantias constitucionais.

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