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Guerra e o Médio-Oriente na abertura do Socialismo 2007

Foto André BejaComeçou na noite de sexta-feira um fim de semana de debates sobre as ideias que marcam a actualidade do pensamento socialista. No arranque do "Socialismo 2007", a globalização e a guerra foram os temas fortes das intervenções de Ana Drago e Rudolph El Kareh, sociólogo libanês. A iniciativa prosseguiu durante todo o fim-de-semana nas instalações do IPJ (Parque das Nações) em Lisboa. Veja aqui o programa do Socialismo 2007.

A deputada do Bloco deu as boas-vindas aos cerca de 250 participantes da sessão de abertura e de seguida analisou as consequências da doutrina Bush da "guerra contra o terror" para o processo de globalização em curso e para  os movimentos que lutam contra o neo-liberalismo e a guerra em todo o mundo. Ana Drago defendeu que o modelo da globalização enquanto utopia lioberal do pós-muro de Berlim morreu com o 11 de Setembro: "A guerra contra o terrorismo é a marca da nova globalização", afirmou.

Os desafios e as dificuldades para o movimento alterglobalizador foram outro dos pontos da intervenção da deputada do Bloco, para quem a nova situação após a invasão do Iraque trouxe "um impasse e uma crise". Mesmo reconhecendo o facto positivo do movimento ter conservado o perfil de resistência anti-neoliberal após a invasão do Iraque, Ana Drago apontou algumas falhas: "Não soubemos manter a articulação entre as diferentes lutas". As debilidades na resposta à criminalização do Islão nos países europeus ou em encontrar formas de superar a crise da política foram duas das características deste "impasse" no movimento por outra globalização. A necessidade de trazer ao debate político a questão da cidadania e participação ligada à interculturalidade e às migrações, e também os novos modelos de participação e representação política foram dois dos desafios deixados no fim da intervenção de abertura do Socialismo 2007.

Rudolph El Kareh falou da violência no Médio-Oriente, começando por alertar para o facto que a própria noção de "Médio-Oriente" é cultural e politicamente orientada e que, ao contrário do que alguns acreditam na Casa Branca, não corresponde a uma realidade cultural comum. Enumerando os vários conflitos naquela região do planeta desde a recente guerra dos 33 dias no Líbano até ao início do século XX, El Kareh procurou demonstrar que esta cultura da violência foi imposta pelos colonizadores e de algum modo interiorizada e mimetizada pelas vítimas mais tarde. E para ilustrar o argumento citou o então ministro da Guerra inglês, Winston Churchill, reivindicando a vontade de possuir e controlar as fontes de energia da região e apoiando o gaseamento dos iraquianos no início dos anos 20.

Face à cultura da violência, com particular incidência no território da Palestina, Rudolph El Kareh defende a necessidade de uma oposição determinada aos seus promotores e de dar mais força ao combate por uma cultura de paz, que leve a um processo de desmilitarização da região, sem deixar de lado a bomba nuclear israelita. Não aceitar que o futuro da região passa pelas divisões e rivalidades mas sim pela negociação pacífica com recurso à mediação internacional é que é, para o sociólogo libanês "o grande desafio para as novas gerações".
 
Depois da sessão de abertura, a noite prosseguiu com danças tradicionais europeias, ao som do concerto dos CPPP.

 

Fotos de André Beja:

Foto André BejaFoto André Beja

 


Vê aqui o programa do Socialismo 2007 para sábado e domingo  

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