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Governo não quer receber Dalai Lama

Dalai LamaTal como há seis anos, o Governo Português recusa-se a receber o Dalai Lama, que chega hoje a Portugal para uma visita de cinco dias. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, foi lacónico: "A posição do Governo é óbvia, pelas razões que são conhecidas". O líder espiritual do Tibete e prémio Nobel da Paz em 1989 vai ser recebido apenas pelo Parlamento, apesar da censura do governo Chinês, preocupado com a veiculação de ideias que visam "a desagregação da pátria chinesa". A deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto lembrou a violação dos direitos humanos no Tibete e criticou o governo por "não ter encontrado uma solução" para receber o Dalai Lama.
 

Em Novembro de 2001, o Dalai Lama foi recebido fora do Parlamento, num hotel de Lisboa, por deputados do PS, PSD, CDS-PP e BE e pelo então Presidente da República, Jorge Sampaio, fora do Palácio de Belém, no Museu Nacional de Arte Antiga.

Desta vez, apesar do Governo continuar a recusar receber o Dalai Lama devido às "boas relações diplomáticas" com a China, o Parlamento português abre as portas ao líder tibetano, nomeadamente na comissão parlamentar dos negócios estrangeiros e em audiência privada com Jaime Gama. A primeira audição estava prevista para hoje mas foi cancelada e adiada para amanhã, devido a "razões de agenda do Dalai Lama".

Pelo que o jornal Público apurou, um diplomata chinês foi ontem recebido no parlamento para "antecipar a vinda de Tenzin Gyatso" (nome de nascença do Dalai Lama). Em conferência de imprensa, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês censurou o parlamento português por receber o Dalai Lama e apelou à Assembleia da República (AR) para não servir de veículo à mensagem do líder tibetano no exílio.

«As actividades do Dalai Lama não são só religiosas. Ele representa as forças políticas que visam a independência do Tibete e a desagregação da pátria chinesa» , avisou Jiang Yu

Enquanto o PSD e o PS assumem uma posição "reservada" em relação à vinda do Dalai Lama, sublinhando que não é desejável "entrar em questões políticas", CDS e BE já criticaram a atitude submissa no governo português.

Nesse sentido, Helena Pinto frisou o interesse do Bloco quanto às "restrições concretas em que vive o povo do Tibete, as violações dos direitos humanos e as condições de exercício de liberdade religiosa". E critica a diplomacia portuguesa por "não ter encontrado uma solução" para receber oficialmente esta personalidade.

Quanto ao PCP, Jerónimo de Sousa limitou-se ao seguinte comentário: «As instituições devem respeitar, no quadro do direito internacional, as relações diplomáticas com outros países e, nesse sentido, não se pode ter relações económicas, políticas e diplomáticas com certos países e depois procurar contrariar essa perspectiva justa do prestígio das instituições com uma visita de circunstância»

Em 1950, a China invadiu o Tibete, anexando-o como província. A oposição tibetana é derrotada numa revolta armada, em 1959. Em conseqüência, o 14° Dalai Lama Tenzin Gyatso, líder espiritual e político tibetano, retira-se para o norte da Índia, onde instala um governo em exílio.

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