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Governo da Arábia Saudita defende condenação de jovem violada a 200 chicotadas

Abdullah, rei sauditaO Ministério da Justiça da Arábia Saudita veio defender neste Sábado a condenação a 200 chicotadas de uma jovem, actualmente com 19 anos, violada colectivamente por sete homens. Segundo o governo saudita o julgamento foi "equilibrado" e a mulher tinha admitido que teve "relações ímpias".
A Human Rights Watch denunciou o caso, Hillary Clinton considerou a sentença uma "vergonha". Da Comissão Europeia ou da presidência portuguesa da UE não se conhece qualquer tomada de posição.

Segundo o governo saudita a jovem era casada e encontrava-se nua na companhia de um homem que não pertencia à sua família.

A jovem e o homem que a acompanhava foram agredidos, raptados e violados colectivamente por sete homens. Ambos se calaram com receio das represálias, até que o marido recebeu a denúncia do caso por carta anónima. O ministério diz que "ela admitiu e o marido contou-nos os factos".

Segundo o wahhabismo vigente na Arábia Saudita, as mulheres não devem estar com homens que não sejam da sua família e devem cobrir-se da cabeça aos pés em público.

Em Outubro de 2006 a mulher foi condenada a 90 chicotadas por estar num automóvel acompanhada de um desconhecido. A 14 de Novembro passado a condenação foi agravada para 200 chicotadas e seis meses de prisão pelo Supremo Tribunal Judicial.

O agravamento da pena, segundo uma fonte judicial citada pelo Arab News, deveu-se ao facto da jovem ter "tentado influenciar o tribunal por meio da imprensa".

Os sete agressores viram a pena agravada de prisão entre um e cinco anos para prisão de dois a nove anos. Na Arábia Saudita, o autor de uma violação pode ser condenado à morte, neste caso a sentença foi menor, porque segundo o tribunal houve "falta de testemunhos".

O advogado de defesa da jovem, Abdelrahmane al-Lahem, activista dos direitos humanos, tem de comparecer perante uma comissão de disciplina no início de Dezembro e pode perder o direito de exercer a advocacia.

A organização Human Rights Watch, que entrevistou a jovem em Dezembro de 2006, denunciou a situação, condenou a sentença e apelou ao rei Abdullah que a anule.

A candidata presidencial norte-americana Hilary Clinton considerou a sentença vergonhosa e apelou a Bush para que peça ao rei Abdullah que anule a perseguição a esta jovem. Um conselheiro do presidente dos EUA considerou a sentença "absolutamente repreensível".

Da União Europeia não se conhece qualquer posição. Nem a Comissão, nem a presidência portuguesa se expressaram publicamente sobre o caso.

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