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Gaza: "O mais brutal banho de sangue desde 1967"

Funeral de duas irmãs de 4 e 9 anos, mortas por um míssil lançado pela aviação israelita em Gaza. Foto EPA/MOHAMMED SABER Os bombardeamentos das tropas israelitas sobre Gaza já causaram a morte de mais de 364 palestinianos, segundo os serviços de saúde do território. Destes, pelo menos 62 eram mulheres e crianças, segundo a agência da ONU para os refugiados. O número de feridos ultrapassa os 1.400. "É o mais brutal banho de sangue desde 1967", denuncia o deputado palestiniano Mustafa Barghouthi, da Iniciativa Nacional Palestiniana. 

 

A ofensiva aérea israelita está apenas na primeira fase, entre várias já decididas, afirmou o primeiro-ministro Ehud Olmert, deixando no ar a ameaça de uma invasão terrestre das tropas israelitas. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o cessar imediato da violência e criticou o "excessivo uso de força em Gaza". Um navio de guerra israelita atacou a embarcação Dignity que levava 16 activistas e material médico doado por organizações cipriotas e queria chegar ao porto de Gaza. 

"Israel não tem interesse, neste estágio, num cessar-fogo com o Hamas na Faixa de Gaza", disse o ministro das Infra-estruturas de Israel, Ben Eliezer, citado pela agência France Presse. "Um cessar-fogo permitiria ao Hamas ganhar forças, reganhar o ânimo e preparar um ataque mais forte contra Israel". Já o vice-ministro da Defesa, Matan Vilnai, declarou que Israel está pronto "para semanas de combate".

Faltam seis semanas para as eleições legislativas de Israel. As sondagens apontam para uma possível vitória do partido Likud, de Benjamin Netanyahu, que derrotaria os trabalhistas do actual ministro da Defesa, Ehud Barak, e a ministra dos Negócios Estrangeiros Tzipi Livni, do partido Kadima, do actual primeiro-ministro Ehud Olmert.

Nas primeiras horas desta terça-feira, forças aéreas e navais israelitas atacaram alvos em Gaza, entre eles edifícios do governo do território, uma base naval, instalações das milícias armadas a leste de Al-Zeitun, e até a residência de um dos líderes das Brigadas Al-Qassam. Aviões israelitas não cessaram os bombardeamentos durante toda a noite, e grande parte da população sofre com os cortes de electricidade e a escassez de alimentos.

Os ataques israelitas não estão a conseguir porém impedir a resposta das forças palestinianas de Gaza, que continuam a lançar foguetes na direcção de cidades de Israel, com alcance cada vez maior. Um deles atingiu a cidade de Ashdod, a cerca de 35 quilómetros de Gaza, matando uma pessoa e ferindo duas.

Cumplicidade da comunidade internacional

"Um massacre de civis como este não teria acontecido sem a cumplicidade da comunidade internacional", denunciou o deputado palestiniano Mustafa Barghouthi, da Iniciativa Nacional Palestiniana. "Israel atacou hospitais, mesquitas, universidades e cadeias. Considerando a natureza física da Faixa de Gaza e a incrível densidade de 4.117 pessoas por quilómetro quadrado, é impossível que o Exército israelita atinja apenas os chamados 'alvos de segurança'", acusou.

O sector de saúde do território está actualmente em estado de colapso, denunciou Barghouti: "Hoje o principal armazém de material médico do ministério da Saúde foi bombardeado. Pacientes gravemente feridos não podem sair de Gaza devido ao encerramento das fronteiras. E equipamento médico básico, como material de esterilização, agulhas, anestésicos, catéteres, oxigénio ou monitores não podem chegar a Gaza", denunciou o deputado, que é médico de profissão.

"É um desastre humanitário e uma tragédia humanitária que tem de ser detida imediatamente. Todos os direitos do ser humano foram violados. É tempo de Israel pôr fim à violência e à agressão contra a população palestiniana imediatamente e acabar com o cerco a Gaza", completou Barghouti.

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