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Faculdade de Letras: Extrema-direita esmagada nas urnas

letras_264Os estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa mobilizaram-se para derrotar a extrema-direita nas eleições para a Associação de Estudantes, que foram as mais participadas dos últimos seis anos. A lista U obteve 91% (818 votos) enquanto a lista X, que integrava elementos de extrema-direita, não ultrapassou os 9% (81 votos). Amanhã, quinta-feira, pelas 15h30, um grupo de estudantes da faculdade organiza um debate com a participação de Eduarda Dionísio José Mário Branco e a Associação SOS Racismo, intitulado «Viva quem muda sem ter medo do escuro».   

Foram as eleições mais participadas dos últimos seis anos, tendo mais do que duplicado o número de votos em relação ao ano passado. Do total de 942 votos, 818 foram para a lista U, 81 para a lista X, 24 em branco e 19 nulos. A lista U venceu assim claramente a Direcção da Associação de Estudantes da Faculdade de letras, tendo conquistado igualmente a Mesa da Reunião Geral de Alunos e o Conselho Fiscal, como lista única.

Nos dias de votação assistiu-se a uma forte mobilização dos estudantes da faculdade, preocupados com a presença cada vez mais incómoda de elementos de extrema-direita, muitos dos quais não pertencem à faculdade de letras. Murais do PNR e símbolos fascistas têm-se multiplicado pelas paredes. Estes factos levaram um grupo de alunos a organizar um debate com Eduarda Dionísio José Mário Branco e a Associação SOS Racismo, intitulado "Viva quem muda sem ter medo do escuro", agendado para amanhã, às 15h30, no bar da esplanada.

Entretanto, perante notícias do Público e do Diário de Notícias que lançavam a dúvida sobre a participação de membros do Bloco de Esquerda na lista apoiada pela extrema-direita, o gabinete de imprensa do Bloco respondeu aos respectivos jornais que «como seria de esperar, não existe, e nunca poderia existir, um membro do Bloco de Esquerda a participar numa lista que promove o ódio racial e defende o fascismo.  As afirmações em causa apenas pretendem criar confusão nos leitores e encobrir o carácter neonazi, violento e racista da lista em causa - como, aliás, se torna claro da leitura do artigo e das fotografias que o acompanham» E acrescenta: De facto, não há nenhum membro do Bloco de Esquerda na lista de extrema-direita na Faculdade de Letras de Lisboa. Naturalmente, alguém pode alegar que simpatiza com este ou com aquele partido. Mas os membros do Bloco são os que estão inscritos no Bloco e não quaisquer outros. Qualquer jovem que estude na Faculdade de Letras não terá nenhuma dificuldade em compreender a política da lista apresentada pela extrema-direita. Afinal, alguns dos seus candidatos e apoiantes passeavam-se pela faculdade com cruzes suásticas»

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