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Ex-ministro de Cavaco é o novo presidente da CGD

Faria de OliveiraFernando Faria de Oliveira, ex-ministro da Cavaco Silva, é o novo presidente da Caixa Geral de Depósitos, em substituição de Carlos Santos Ferreira, que se demitiu para se candidatar à presidência do BCP. O governo cede assim às pressões do PSD, que exigia o cumprimento de uma alegada tradição de o presidente da CGD não ser do partido do governo. O Bloco de Esquerda criticou a "distribuição de cadeiras de poder" do "centrão" nas instituições públicas.

 

Faria de Oliveira presidia actualmente ao Banco Caixa, pertença da Caixa Geral de Depósitos em Espanha. Aos 66 anos, é licenciado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico e tem no currículo vários cargos políticos. Foi, secretário de Estado da Exportação, secretário de Estado das Finanças e do Tesouro e Ministro do Comércio e Turismo.

PSD e CDS congratularam-se com a escolha. Rui Gomes da Silva, vice-presidente do PSD, afirmou que o líder do PSD, Luís Filipe Menezes, conseguiu travar a nomeação de uma pessoa ligada ao PS para homem-forte do banco estatal.

"Foi por intervenção do PSD e do seu líder que não estamos a assistir à nomeação de um presidente da CGD pertencente ao PS ou de um futuro ex-membro do actual Governo".

Quanto ao CDS, disse que Faria de Oliveira, pela "sua experiência e pelo conhecimento que tem da Caixa, tem competência" para chefiar a maior instituição bancária do país.

Para o PS, o PSD "tentou, e falhou, desestabilizar o Governo, andando a pedir que fosse nomeado um quadro do PSD, e também isso não conseguiu", segundo Vitalino Canas.

Para o deputado João Semedo, do Bloco de Esquerda, "há uma apropriação indevida e ilegítima do ‘centrão' - PS e PSD - das instituições, "trocando entre si as nomeações para cargos de elevadíssima responsabilidade".

"Não é o melhor método e critério para o desenvolvimento e a protecção do interesse público", disse, alertando que a CGD foi apanhada pela crise no BCP, para onde transitará o anterior presidente da Caixa, Carlos Santos Ferreira, e que é reveladora do estado de degenerescência e podridão a que chegou o sistema bancário português.

Para o PCP, a nomeação de Faria de Oliveira é uma "afirmação do bloco central de interesses que tudo domina, no plano político como económico, e que vai ao ponto de reivindicarem lugares em público".

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