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EUA acusados de discurso dúplice sobre as Honduras

Hillary Clinton começou por condenar o golpe, mas não passou das palavras. Foto Llima/FlickrA crise política nas Honduras atravessa também a política interna nos EUA. Uma carta enviada pelo Departamento de Estado a um senador republicano suaviza a posição de Washington, que já não fala em golpe de estado nem está a preparar novas sanções económicas. Entretanto, a UE congelou a ajuda financeira às Honduras.

 

Segundo o diário argentino Clarin, esta carta teria como objectivo evitar o veto à nomeação de Arturo Valenzuela para presidir à Subsecretaria de Assuntos Hemisféricos. O candidato de origem chilena apoiado pela Casa Branca enfrentou dificuldades na audiência que serviria para confirmá-lo no lugar e acabou por ser bloqueado pelo veto de dois Senadores. O facto de ter caracterizado o golpe hondurenho como "um golpe de estado clássico" terá contribuído para o chumbo da nomeação.

Mas a publicação da carta abriu a polémica sobre a posição dos Estados Unidos, que começou por condenar o golpe apoiado pelo patronato das Honduras que depôs o presidente eleito, apelando à restauração da ordem democrática e constitucional. Agora, o Departamento de Estado prefere diz aos senadores que não apoia "nenhum político ou indivíduo em particular" neste conflito e que o presidente no exílio promoveu acções provocatórias antes de ser derrubado.

O presidente venezuelano Hugo Chávez veio denunciar uma estratégia de "esfriar" o assunto Honduras por parte dos EUA e do enviado da OEA, o costa-riquenho Oscar Arias. "Infelizmente é o que o império e os golpistas de Honduras querem: que o tema vá se apagando", disse Chávez citado pela agência Efe, anunciando também que não reconhecerá nenhum governo saído de eleições promovidas pelos golpistas. 

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA veio ensaiar um recuo após a publicação da carta. "Temos sido muito firmes em criticar o que aconteceu nas Honduras. Foi claramente um golpe e condenámo-lo", disse Robert Wood, manifestando o apoio ao plano proposto pelo presidente da Costa Rica.

Por seu lado, a presidência sueca da União Europeia anunciou que "reitera o seu contínuo apoio a todos os esforços de mediação do presidente da Costa Rica, Óscar Arias, e da Organização dos Estados Americanos (OEA)". A UE decidiu igualmente paralisar as negociações de um acordo de associação com a América Central, congelar 65,5 milhões de euros de ajuda ao orçamento hondurenho e restringir os contatos com o Governo de Micheletti, bem como estudar a retirada de vistos diplomáticos de entrada em seu território de altos funcionários do novo Governo, diz a agência Efe.

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