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Encontro do trabalho do BE: Juntar forças contra a precariedade

trab_4_grandTerminou ontem o IV Encontro Nacional de Trabalho do Bloco de Esquerda. Mais de 150 pessoas discutiram os temas da precariedade, da comunicação sindical e da flexisegurança. Jorgen Arbo-Behr, deputado da Aliança Verde-Vermelha da Dinamarca explicou que neste país a maior parte das pessoas não sabe o significado do termo "flexisegurança", acrecentando que o modelo dinamarquês não é imutável nem é o resultado de «actos conscientes de pessoas espertas» mas sim de uma «luta de classes com mais de 100 anos». Durante a noite de ontem teve lugar a ante-estreia do filme sobre "A Marcha do Emprego" que o Bloco de Esquerda promoveu em Setembro do ano passado
Veja as fotografias do Encontro.

O IV encontro Nacional de Trabalho do Bloco de Esquerda juntou mais de 150 pessoas contra o projecto neoliberal da flexisegurança que os líderes europeus querem aplicar a toda a Europa.

Jorgen Arbo-Behr é um dos seis deputados da Aliança Verde-Vermelha no parlamento dinamarquês. Explicou que o modelo dinamarquês, de onde provém a palavra flexisegurança e que se baseia na facilidade dos despedimentos e numa alta protecção social aos desempregados, não se trata de um acordo estático e inamovível mas sim o resultado das relações de forças entre trabalhadores e patrões que foram evoluindo durante «mais de 100 anos de luta de classes». «Na verdade, os patrões querem mais flexibilidade -entenda-se liberdade de despedir - e os sindicatos querem mais segurança». O deputado dinamarquês acrescentou que desde 2001, com a entrada da direita no governo, o trabalho temporário aumentou 200% e «100 mil pessoas que trabalhavam a tempo inteiro passaram para tempo parcial». Além disso os jovens trabalhadores com menos de 25 anos viram reduzido em 50% o seu subsídio de desemprego, prestação social que durava nove anos em 1992 e apenas quatro anos nos dias de hoje.

Jorgen Arbo-Behr frisou ainda que a maior parte dos imigrantes estão fora de todos os sistemas de protecção, dando o exemplo dos cerca de 10 mil polacos que trabalham ilegalmente na construção civil, recebendo 3 euros por hora, quando a remuneração de um dinamarquês é cicno vezes superior.

No painel sobre Comunicação Sindical, Ulisses Garrido, da Comissão Executiva da CGTP, sublinhou a necessidade de uma comunicação bi-direccional entre os dirigentes sindicais e os trabalhadores, declarando que «mais do que papéis e e-mails» o que faz falta é «o contacto directo de dirigentes e delegados sindicais com os trabalhadores». Acrescentou ainda que a melhor comunciação é aquela que se dirige às realidades concretas vividas pelas pessoas, em vez dos «panfletos generalistas» que acabam pors er «para toda a gente e para ninguém».

Ulisses Garrido frisou ainda que a actual comunicação da CGTP peca por vezes por ser «demasiado palavrosa», por incluir muita «política partidária» e por dar pouco relevo às questões «europeias e mundiais». O dirigente da CGTP informou ainda que a CGTP tem 3 mil contactos na sua newsletter e que recebe cerca de 20 e-mails por dia.

João Mesquita, ex-Presidente do Sindicato dos Jornalistas, criticou o jornalismo económico português, que «só fala de finanças, banqueiros e directores de marketing» e ignora o tema do trabalho, contado pelos próprios trabalhadores, que é encarado pelos jornais como «uma peça arqueológica».

No painel sobre Precariedade, Sofia Cruz, Investigadora da Faculdade de Letras do Porto, relatou os seus estudos sobre os trabalhadores dos hipermercados, mostrando as diversas insatisfações com que se deparam estes trabalhadores no dia a dia da sua profissão.

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