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Eleições no Afeganistão não foram livres

Hamid Karzai a votarAs eleições presidenciais e locais no Afeganistão não foram livres, segundo os observadores da União Europeia e a imprensa ocidental. A culpa é atribuída ao clima de medo e violência imposto pelos taliban. Mas num país em guerra, ocupado, os mais de 300 mil soldados e polícias não chegam para garantir o carácter “democrático” de umas eleições muito contestadas.

Na maioria das regiões houve ataques armados a locais estratégicos. Segundo a “Comissão eleitoral independente” houve 135 “acidentes” em 15 províncias, fazendo 56 mortos. Misseis atingiram várias zonas onde estavam as mesas de voto. Outras nem sequer abriram. Alguns observadores disseram que as eleições foram “justas mas não livres”.

Hamid Karzai, o candidato "amigo" dos EUA, declarou vitória com maioria absoluta. O seu principal adversário, Abdullah Abdullahj também declarou vitória. O enviado de Washington à região Richard Holbrooke disse que o presidente Hamid Karzai e seu principal rival Abdullah Abdullah tinham prometido respeitar o resultado e evitar a violência.

Só a partir da próxima semana a comissão eleitoral começará a enviar os primeiros resultados das eleições. Os resultados definitivos oficiais só se conhecem em meados de Setembro.

Para além dos ataques dos taliban, da ocupação e do clima de guerra, há ainda outras razões para desconfiar da eleições, segundo os dados dos observadores internacionais: as estatísticas são fantasiosas, os cadernos eleitorais não estão actualizados e há grandes discrepâncias de números, da ordem de vários milhões de eleitores; o controlo dos inscritos nos cadernos é impossível de ser feito nas condições actuais; muitos dos 364 distritos estão nas mãos dos taliban, pelo que é duvidoso, senão mesmo impossível, que tenham funcionado 95% dos colégios eleitorais, como informou a comissão eleitoral.

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