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Eleições na Holanda

ESQUERDA ALTERNATIVA É A ESTRELA DA NOITE
logo_sp_holandaA esquerda alternativa holandesa (Partido Socialista), elegeu 26 deputados (no total de 150), quase triplicando o número de lugares no Parlamento e passando a ser a terceira força mais votada. "Esperávamos duplicar o número de deputados mas isto foi absolutamente fantástico», disse o deputado socialista Agnes Kant.
Numas eleições extremamente participadas, com uma taxa de abstenção de apenas 19,9%, todos os meios de comunicação destacam como principal notícia da noite a espectacular subida do SP de 9 para 26 deputados.
Os democratas-cristãos (CDA) do primeiro-ministro Jan Peter Balkenende perderam 3 lugares, passando de 44 para 41 deputados, mas mantêm-se como o partido mais votado. Formar uma coligação de governo será muito difícil. «É o caos» resumiu o ministro das finanças, o liberal Gerritt Zalm. «É extremamente difícil formar um governo a partir destes resultados», concluiu.

Os sociais-democratas (PvdA), candidatos à liderança do governo, baixaram de 42 para 32 assentos. Os liberais do VVD, membros da anterior coligação governamental de direita, e que eram o terceiro maior grupo no Parlamento com 28 deputados, baixaram para 22 e ficam agora abaixo do SP.
Conhecido como o partido dos tomates, o SP, que se apresenta como anti-neoliberal e socialista, foi o principal organizador do movimento popular que derrotou o projecto de Tratado Constitucional Europeu no referendo do ano passado. Propõem a redução das despesas militares e um aumento da fiscalidade sobre o lucro das empresas para melhor financiar os serviços públicos, nomeadamente os transportes, o aumento do número de professores e as despesas sociais, sobretudo com a terceira idade e as crianças que, defende o SP, deve ser gratuita. A sua representação parlamentar começou com apenas 2 deputados e nas últimas eleições tinham ganho 9 assentos.
A esquerda verde (GroenLinks) baixou de 8 para 7 deputados.
Na extrema direita, desaparece do Parlamento a lista Pim Fortuyn, que perde os seus 9 lugares, totalmente recuperados pelo novo Partido da Liberdade (PvdV), que fez campanha contra os imigrantes e o Islão, em defesa da "religião verdadeira" e dos valores tradicionais.
O Partido dos Animais, cuja campanha se centrou na defesa dos direitos dos animais, ganhou dois lugares.A crise no governo de coligação liderado por Balkenende ditou a necessidade destas eleições.
Mas os resultados desta noite não parecem facilitar a vida ao primeiro-ministro, já que a aritmética das coligações está ainda mais complicada. Teremos uma solução à alemã, com os dois principais partidos que competiam pelo cargo a formarem governo em conjunto? Mesmo esta solução se apresenta como problemática porque juntos, CDA e PvdA, têm agora apenas 73 deputados, menos 2 do que a metade dos 150 lugares do Parlamento holandês.

Resultados:
CDA (cristãos-democratas) - 41 (44 nas legislativas de 2003) PvdA (trabalhistas) - 32 (42)
SP (socialistas, esquerda alternativa) - 26 (9)
VVD (liberais, direita) - 22 (28)
PVV (liberdade, populistas) - 9
Verdes (ecologistas e ex-comunistas) - 7 (8)
CDU (cristãos-sociais, centro-esquerda) - 3 (6)
D66 (sociais-liberais, centro) - 3 (6)
SGP (protestantes, direita) - 2 (2)
LPF (populistas) - 0 (8)
PvdD (defensores dos animais) - 2

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