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Discriminação das mulheres no emprego agravou-se

Manifestação das trabalhadoras da Cofaco, nos Açores, em Fevereiro de 2008. Foto de arquivo da Lusa De acordo com um estudo da CGTP, feito com base em dados do INE, entre 2005 e 2008 verificou-se um aumento de 11 por cento do peso das mulheres entre os trabalhadores não qualificados, ao mesmo tempo que desceu a sua representação nos postos mais elevados, em cerca de 37%. As mulheres continuam a ganhar menos 19% do que os homens e são as mais afectadas pelo desemprego.

O estudo, que a Intersindical vai apresentar esta sexta-feira na V Conferência para a Igualdade entre Mulheres e Homens, revela que as mulheres têm uma taxa de actividade de 48 por cento, menos 10 pontos percentuais que a taxa masculina, de 58 por cento. No início deste milénio o diferencial era de 13 pontos percentuais.

Relativamente ao desemprego, a CGTP-IN considera que este é, actualmente, o problema mais grave, apontando para uma a taxa real de desemprego feminino superior a 12%.O número real de mulheres desempregadas ultrapassa os 300 mil, representando 52% do total dos desempregados. A sua taxa de desemprego de longa duração é de 4,3 por cento enquanto a dos homens é de 3,3 por cento.

Entre 2005 e 2008, houve um aumento de 23 por cento dos contratos não permanentes entre as mulheres trabalhadoras e uma quebra de 1 por cento nos contratos permanentes. Cerca de  450 mil mulheres assalariadas têm um contrato de trabalho não permanente (24% das trabalhadoras por conta de outrem). Uma situação que se agrava nas camadas mais jovens: quase 59% das jovens menores de 25 anos tinham contratos não permanentes, sendo 33% a percentagem na faixa etária seguinte (25-34 anos).

Também entre 2005 e 2008 verificou-se um aumento de 11 por cento do peso das mulheres entre os trabalhadores não qualificados, ao mesmo tempo que desceu a sua representação - em cerca de 37% - entre os quadros superiores da administração pública e dirigentes e quadros superiores de empresa

As mulheres estão sobre-representadas nas áreas laborais não qualificadas, nos serviços e vendas (67 por cento) , na área administrativa (61 por cento), embora também já representem 56 por cento das profissões intelectuais e cientificas. A maior concentração de emprego feminino regista-se no comércio (14 por cento), na saúde e acção social (11 por cento) e na hotelaria e restauração (8 por cento).

Referindo dados de 2006 do Ministério do Trabalho, a CGTP diz que as mulheres auferem salários 19 por cento abaixo da remuneração média mensal base atribuída aos homens (693 euros contra 861 euros). "Esta situação pouco melhorou desde 1995, quando o diferencial entre os dois sexos era de 23 por cento", afirma a CGTP, sublinhando que o fosso salarial ainda é maior nos níveis de qualificação superior - quase 30 por cento.

As mulheres são ainda as principais atingidas pelos salários baixos - 13% das mulheres recebem o salário mínimo contra 7% dos homens.

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