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Direcção da France Telecom acusada

Um relatório da inspecção de trabalho francesa responsabiliza os altos dirigentes da empresa pela vaga de suicídios registada durante a reestruturação.

A inspecção de trabalho acusa os responsáveis máximos da empresa por permiitirem métodos de organização laboral pondo em risco a saúde dos trabalhadores. Foto France TelecomUm relatório da inspecção de trabalho francesa responsabiliza os altos dirigentes da empresa pela vaga de suicídios registada durante a reestruturação.

 


O relatório de 82 páginas serviu de base para a acusação judicial à France Telecom e à sua administração e defende que esta "colocou terceiros em perigo, com a implementação duma organização do trabalho susceptível de causar danos graves à saúde dos trabalhadores", para além de usar "os métodos de gestão que caracterizam o assédio moral", dois crimes previstos no código penal francês.

O relatório acusa o líder da empresa, Didier Lombard - que entretanto passou a presidente sem funções executivas -, o seu antigo braço-direito Louis-Pierre Wenes, já afastado da empresa, e Olivier Barberot que ainda é responsável pelos Recursos Humanos da France Telecom.

"Os danos à saúde mental e a falta de consideração pelos riscos psicosociais ligados às reorganizações são o resultado duma política implementaada em todo o território nacional durante o período 2006-2009", diz a inspectora Sylvie Catala no relatório.

"A responsabilidade por essa política e pelos seus efeitos não cabe a cada um dos directores da unidade France Telecom, que se limitaram a aplicar os métodos e as decisões tomadas ao mais alto nível do grupo", acrescenta o relatório.

O plano Next foi apresentado em 2005, numa altura em que a empresa apresentava resultados positivos e crescia em número de clientes. Ele previa cortar 22 mil postos de trabalho em 3 anos, mudar 10 mil trabalhadores de função e recrutar 6 mil novos funcionários. Foi um sucesso para os accionistas que viram os seus dividendos aumentar, com o plano a avançar de forma unilateral pela administração, e uma tragédia para os trabalhadores, sujeitos ao aumento do stress por causa da mobilidade a que estavam obrigados contra a sua vontade.  Em 2008 e 2009 houve uma média de 1 suicídio por mês na empresa.

 

 


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