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Crise em Lisboa pode levar a remodelação no governo

Foto Luis Miguel Martins/FlickrJosé Sócrates classificou como "pura especulação" as notícias desta sexta-feira com o nome de António Costa a protagonizar a candidatura do PS às eleições intercalares para a Câmara de Lisboa. Sócrates diz que o PS irá tomar a decisão "no momento próprio quando reunir os seus órgãos políticos", razão pela qual não quis comentar a possibilidade de estar em preparação uma remodelação do governo nos próximos dias, antes de assumir a presidência rotativa da UE.

A confirmar-se a candidatura do ministro de Estado e da Administração Interna, José Sócrates terá de fazer uma importante remodelação do governo, obrigada pela saída do seu nº 2 em vésperas de assumir a presidência da União Europeia e numa altura em que os níveis de popularidade entraram na curva descendente. O dossier Lisboa está revelar-se difícil de gerir para o PS, sobretudo após o anúncio da pré-candidatura de Helena Roseta, que para esse efeito se desfiliou do partido. 

Quanto ao agora ex-presidente da Câmara lisboeta, deu ontem mais uma conferência de imprensa na hora da despedida sem direito a perguntas dos jornalistas. Carmona Rodrigues disse que foi eleito "com o voto dos lisboetas" e demitido "com o voto dos partidos", mas ficou por se saber se irá submeter-se de novo ao sufrágio eleitoral, desta vez como independente. Um dos outros arguidos do caso Bragaparques, o vereador Fontão de Carvalho, já admitiu a hipótese de o fazer.

O vereador independente eleito pelo Bloco comentou ontem as hipóteses de virem a existir mais candidaturas à margem dos partidos: «Lisboa não é de uma personalidade nem de um partido. É de todos nós e todos nós temos de ouvir muito bem o debate» durante a campanha para as intercalares, afirmou Sá Fernandes, que disse ainda acreditar que «a credibilidade dos futuros candidatos vai provar-se «por quem conhecer muito bem os dossiês».

Os últimos dias trouxeram novidades em relação a um dos casos que marcou o combate político de José Sá Fernandes na vereação: os negócios da EPUL e empresas participadas envolvendo os terrenos do Vale de Santo António e o pagamento de milhões de euros ao Benfica. A Inspecção Geral de Finanças entregou um relatório aos vereadores na última sessão de Câmara, onde analisa alguns negócios da EPUL entre 2003 e 2006, nomeadamente os pagamentos efectuados ao abrigo do contrato-programa entre a CML, a EPUL e a sociedade formada pelo Benfica para a construção do estádio. O relatório diz que mais de metade das obras pagas pela EPUL não tinha nada a ver com equipamentos desportivos. 

Estes negócios dizem respeito ao mandato de Santana Lopes. No relatório de contas da EPUL estão registados como adiantamentos por conta de lucros futuros a entrega de cerca de 10 milhões de euros ao Benfica e igual montante ao Sporting. No caso do clube de Alvalade, o projecto de comercialização dos 200 fogos ainda nem sequer foi aprovado. Sá Fernandes disse estar satisfeito por o relatório da IGF ter confirmado o que sempre disse. "Santana Lopes, Carmona Rodrigues e a EPUL devem assumir a responsabilidade política” destes actos, concluiu o vereador.

A relação entre uma empresa subsidiária da EPUL, a promotora Imohífen, com uma mediadora imobiliária, a Find Land, também foi investigada pela inspecção. Descobriu-se que foi feito um pagamento de 271.500 euros à mediadora numa altura em que esta empresa nem sequer estava licenciada para operar no sector. Mais 1,6 milhões de euros foram entregues à Find Land para esta angariar clientes para a venda dos lotes do Vale de Sto. António que foi feita por hasta pública ou em proposta por carta fechada.

Este contrato tinha sido objecto duma participação do Bloco de Esquerda e agora a IGF vem concluir que esse contrato não obedeceu às normas legais, ao "não quantificar os encargos para os entes públicos". Também a venda de lotes de terreno no Vale de Santo António foram apontadas como exemplos de falta de transparência e má gestão dos dinheiros públicos.

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