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CGTP critica PR por defender flexigurança

cavaconaindialusapicwebA CGTP fez críticas ao Presidente da República por defender medidas que facilitam os despedimentos, a chamada flexigurança. "Não se entende que, em vez de um pronunciamento no sentido de fazer cumprir a lei, o Presidente da República venha defender medidas que facilitem os despedimentos, contrariando as disposições constitucionais e assumindo-se como instrumento avançado das políticas neoliberais", disse José Ernesto Cartaxo, da comissão executiva da central.
Para o Bloco de Esquerda, Cavaco Silva, ao invocar o exemplo da flexigurança, defendeu um modelo "que tem sido uma das principais bandeiras do Compromisso Portugal." Segundo a CGTP, o que "se pretende é flexibilizar os despedimentos e desregular o mercado de trabalho". A central denuncia que o exemplo dinamarquês constitui uma fraude. A Dinamarca dispõe de regimes de protecção social avançados, enquanto que, pelo contrário, o governo português tem vindo a aplicar medidas de política social que fragilizam o sistema de segurança social e a protecção ao desemprego.

"A liberalização dos despedimentos em Portugal não traria nenhum valor acrescentado para o desenvolvimento económico", disse Cartaxo, sustentando que só iriam acentuar o ultrapassado modelo de baixos salários, mão-de-obra precária e pouco qualificada.

Para o Bloco de Esquerda, em nota de imprensa, Cavaco Silva não pode fingir que não sabe que foi o executivo de José Sócrates quem primeiro defendeu a hipótese de seguir este modelo no nosso país. "Não se pode separar a discussão sobre um modelo de protecção social e a prática seguida pelo Governo que o pode aplicar. Um ano e meio depois de ter tomado posse, todas as medidas do executivo apontam para o  aumento da insegurança - novas regras para o subsídio de desemprego - e para a diminuição da protecção social - aumento da idade da reforma e diminuição das reformas. A flexisegurança da "cooperação estratégica" arrisca-se mesmo a ser isto: flexibilidade máxima para segurança mínima."

Para o Bloco de Esquerda, a defesa que Cavaco Silva fez da flexisegurança é mais um sinal do entendimento que tem da ‘cooperação estratégica': apoiar o Governo em todas as medidas que liberalizem a economia, diminuam a prestação social do Estado e facilitem os despedimentos.

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