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Caso BPN: Oliveira e Costa acusa Dias Loureiro de mentir

 LusaNo âmbito da audição parlamentar a José Oliveira e Costa, a propósito do "caso-BPN" (ver video), o ex-presidente do Banco Português de Negócios distribuiu graves acusações, que atingiram particularmente Dias Loureiro, Miguel Cadilhe e Joaquim Coimbra, todos eles destacados membros do PSD. O Conselheiro de Estado foi acusado de mentir à Comissão de Inquérito.

 

Oliveira e Costa repartiu fortes críticas a alguns dos seus ex-colegas na administração do Banco Português de Negócios e em orgãos directivos do PSD ou governos social-democratas. Em particular, o ex-presidente do BPN atacou por diversas vezes  o conselheiro de Estado Dias Loureiro, acusando-o de ter mentido quanto às declarações relacionadas com a reunião com António Marta, ex-vice-presidente do Banco de Portugal.

Oliveira e Costa contrariou declarações de Dias Loureiro, que tinha assumido na comissão de inquérito ter ido ao Banco de Portugal pedir uma atenção especial sobre o BPN, uma vez que estava preocupado com alguma práticas de gestão do banco. Marta, por seu lado, sustentou que Loureiro lhe foi perguntar porque razão andava o Banco de Portugal "sempre em cima do BPN". Oliveira e Costa afirmou que Dias Loureiro "suportou a sua versão numa descarada deslealdade" e salientou que a versão correcta é a do vice-presidente do Banco de Portugal.

Segundo Oliveira e Costa, "logo que regressou ao banco, Dias Loureiro foi ter comigo para dizer que tinha ido ao Banco de Portugal. Diz que fez sentir a António Marta que a supervisão estava constantemente em cima do BPN e que Marta lhe teria dito que estava constantemente em cima de todos os bancos, mas que por este ser mais pequeno era mais fácil detectar problemas".

O ex-presidente do BPN afirmou ainda que Dias Loureiro nunca lhe perguntou onde estavam registadas as perdas relacionadas com a compra da empresa Biometrics de Porto Rico.

Miguel Cadilhe, outro ex-ministro do PSD, também foi visado pelas afirmações de Oliveira e Costa, que fez grandes críticas à sua gestão, salientando que o "silêncio" de Cadilhe inviabilizou a venda do BPN ao grupo Carlyle, que teria a oposição de um grupo de dez acionistas de referência no banco.

Segundo Oliveira e Costa, o ex-Ministro das Finanças de Cavaco Silva viria depois a "lavar as mãos como Pilatos", contribuindo para a "derrocada do grupo". Oliveira e Costa lembrou ainda que "a entrada de Miguel Cadilhe custou 2,5 vezes mais do que eu ganhei durante 10 anos". Cadilhe, por seu lado, em declarações à imprensa, rejeitou as críticas e declarou que "Oliveira e Costa não é Jesus Cristo".

Oliveira e Costa acusou ainda um dos maiores acionistas do BPN, Joaquim Coimbra, de o ter "cozinhado em banho-maria" e de ter iniciado um processo de "destruição do grupo". Joaquim Coimbra terá forçado a ruptura das negociações para vender o grupo a entidades estrangeiras, nomeadamente a interesses ligados à família real da Arábia Saudita e ao grupo Carlyle.

Joaquim Coimbra detém mais de 49% do capital do jornal "Sol" e abandonou a Comissão Política do PSD quando o líder do partido na altura, Luís Filipe Menezes, decidiu avançar com um pedido de inquérito à supervisão bancária no caso BCP.

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