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Caos também no Afeganistão

PAQUISTÃO DIZ QUE NATO DEVE NEGOCIAR COM TALIBAN
talibanNeste artigo, o conhecido jornalista Ahmed Rashid, especialista em Afeganistão, informa que o Paquistão está a tentar convencer a Nato a aceitar a derrota no Afeganistão e a negociar com os taliban um novo governo, que excluiria o actual presidente, Hamid Karzai.

Aceitem a derrota pelos taliban, diz Paquistão à NATO

 Por Ahmed Rashid in Islamabad

Publicado originalmente no Telegraph.co.uk em 30/11/2006

Tradução Esquerda.net

Representantes do governo paquistanês estão a tentar convencer os países da Nato a aceitarem os Taliban e a trabalhar em para formar um novo governo de coligação em Cabul que poderia excluir o presidente Hamid Karzai.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Khurshid Kasuri, disse em encontros privados com ministros dos Negócios Estrangeiros de alguns estados-membros da Nato que os taliban estão a vencer a guerra no Afeganistão e a Nato está votada ao fracasso. Na sua opinião, seria um erro mandar mais tropas.

Os ministros do Ocidente ficaram espantados. "Kasuri está basicamente a pedir à Nato que se renda e negoceie com os taliban", disse uma fonte oficial ocidental, que falou recentemente com o ministro.

As observações foram feitas na véspera de uma cimeira crítica da Nato na Lituânia. O tenente-general David Richards,  oficial britânico e comandante da força da Nato no Afeganistão, e o embaixador holandês Daan Everts, o seu chefe de diplomacia, passaram cinco dias na capital do Paquistão, Islamabad, insistindo com os militares paquistaneses para que façam mais para se impor aos taliban. Mas receberam diferentes mensagens.

Karzai insiste desde há muito que os santuários taliban e as suas bases logísticas estão no Paquistão, ao mesmo tempo que o general James Jones, Supremo Comandante da Nato, dizia ao Congresso em Setembro que a liderança taliban está aquartelada na cidade paquistanesa de Quetta.

O tenente-general Ali Mohammed Jan Orakzai, governador da volátil Província de fronteira noroeste, declarou publicamente que os EUA, a Grã-Bretanha e a Nato já fracassaram no Afeganistão. "Ou se trata de uma falta de compreensão ou é falta de coragem de admitir as suas derrotas", disse recentemente.

O general Orakzai insiste que os taliban representam a população pashtun, o maior grupo étnico do Afeganistão e o segundo maior do Paquistão, e hoje lideram um movimento de "resistência nacional" para expulsar as forças de ocupação ocidentais, tal como há no Iraque.

Mas estes comentários enfureceram muitos pashtuns paquistaneses e afegãos, que consideram os taliban como párias e uma negação dos valores pashtun. O general Orakzai é o ideólogo de "acordos de paz" entre o exército e as tribos pashtun fortemente talibanizadas do lado paquistanês da fronteira, mas estes argumentos fracassaram porque continuam a permitir que os taliban ataquem as forças da Nato dentro do Afeganistão e a deixar os taliban no lugar, com liberdade para governar um mini-estado islâmico.

Pensa-se que o general Orakzai vai insistir com o exército britânico para que faça acordos semelhantes na província Helmand. Entretanto, assessores do presidente Pervez Musharraf dizem que ele virtualmente "desistiu" de Karzai, e está à espera de uma mudança em Cabul antes de oferecer mais ajuda.

Muito afegãos temem que o Paquistão esteja deliberadamente a minar o presidente Karzai e o compromisso da Nato com o seu governo, numa tentativa de reinstalar os seus adeptos taliban em Cabul - o que quase certamente levaria a uma guerra civil generalizada e uma possível partição do país.

Para progredir em Riga, a Nato vai ter de contar com o apoio dos EUA para expor o "bluff" do Paquistão, pressionar Islamabad para entregar a liderança taliban e pôr mais tropas na luta contra a sublevação, e ao mesmo tempo convencer Karzai a ser mais pro-activo.

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