You are here

Candidaturas à liderança do PSD em guerra aberta

Laranja sob nuvens negras. Foto de Ana Graves - FlickRO PSD aproxima-se das eleições directas para a sua liderança cada vez mais dividido, com os porta-vozes das duas candidaturas trocando acusações de fraude e de favorecimento, e com os partidários de Luís Filipe Menezes a dar a entender que podem recorrer aos tribunais contra a decisão do Conselho de Jurisdição Nacional (CJN). Na segunda-feira, o CJN decidiu autorizar "excepcionalmente" os militantes dos Açores a pagar as quotas em atraso até ao dia das directas, sexta-feira, o que lhes permitirá votar na escolha do próximo líder social-democrata. Ribau Esteves, porta-voz da candidatura de Menezes, afirmou que o processo é "vergonhoso, sem qualquer tipo de seriedade e legalidade", e que "o PSD vive o mais negro momento da sua história".

Ribau Esteves acusa Marques Mendes e Guilherme Silva, presidente do CJN, de favorecerem a candidatura do próprio Mendes e de alterarem as regras "para se favorecerem" nas directas, depois de ter sido permitido o pagamento excepcional de quotas aos militantes dos Açores.

O CJN do PSD decidiu ainda excluir 1.442 militantes dos cadernos eleitorais por "pagamentos irregulares" ou "pagamentos em massa".

Segundo Guilherme Silva, a situação de excepção é explicada pelos estatutos regionais do PSD-Açores, "que não exigem que os militantes tenham as quotas em dia para exercer o direito de voto".

Mas Ribau Esteves não aceita as explicações e diz que estas apenas vêm confirmar a fraude: "O árbitro, que tem de ser imparcial, está claramente a puxar para um lado", disse.

A candidatura de Mendes não deve aceitar a sugestão de Manuela Ferreira Leite (que não declarou apoio a ninguém) de que, depois da excepção aberta para os Açores, todos os militantes possam votar, desde que paguem as quotas até o acto eleitoral.

Ribau Esteves disse ao Expresso online que a candidatura de Menezes encara quatro hipóteses: apresentar uma providência cautelar num tribunal administrativo para suspender as eleições; apresentar queixa no Tribunal Constitucional por alegadas irregularidades no processo; recorrer para o Conselho Nacional do partido da decisão do Conselho de Jurisdição; ou desistir da corrida, alegando falta de condições de transparência no processo eleitoral.

Por seu lado, a candidatura de Marques Mendes acusa os adversários de manobrar para justificar uma eventual derrota: "Estão a criar um escândalo em torno de questões menores e a lançar suspeições e insinuações sobre um processo transparente e limpo para criar álibis para a falta de ideias e justificar os resultados", disse Macário Correia, porta-voz da candidatura de Mendes e presidente da Câmara de Tavira.

Para Nuno Morais Sarmento, ex-ministro da Presidência e destacado "barrosista", que não apoia nenhuma das candidaturas, "já havia PSD antes destes dois senhores e haverá depois deles". Ao Expresso online, Morais Sarmento disse que "isto começa a ser mau de mais".

Termos relacionados Política