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Bolívia

GREVE CONTRA MORALES FOI PARCIAL
bolivia-constituinteA greve de sexta-feira na Bolívia, convocada para exigir que o presidente Evo Morales retroceda na intenção de aprovar o novo texto constitucional por maioria absoluta, mas não por dois terços, teve adesão apenas nos departamentos de Santa Cruz, Beni, Tarija e Cochabamba, sobretudo nas três primeiras. A Bolívia tem nove departamentos.
A decisão de aprovar o novo texto constitucional por maioria absoluta foi tomada terça-feira na Assembleia Constituinte, com a aprovação do artigo 71 do regulamento de debates. A actual Constituição prevê os dois terços, mas a Constituinte tem poderes soberanos.

Com a maioria absoluta na Assembleia (128 de 255 votos), o MAS, que tem 137 deputados, pode prescindir dos partidos de oposição para a redacção da nova Constituição, após ter ganho em Julho passado as eleições com 50,7% dos votos.

O porta-voz da presidência, Alex Contreras, afirmou que em Santa Cruz "mais uma vez se está a forçar e a obrigar que a população não saia para trabalhar, através de actos de vandalismo, violência e amedrontamento".

Meios de comunicação informaram que em Beni a greve teve uma grande adesão, da mesma forma que em Tarija, onde transportadoras e motoristas bloquearam com veículos as ruas da cidade e as estradas de acesso.

Na região do Chaco da província de Tarija, na fronteira com a Argentina e onde se encontram as grandes reservas de gás da Bolívia, a greve teve uma adesão parcial.

Os líderes cívicos de La Paz, sede do Executivo e do Congresso da Bolívia (a capital oficial é Sucre), decidiram não seguir a greve e pedir um diálogo com o governo sobre a Assembléia Constituinte.

Nos departamentos de Chuquisaca, Oruro e Potosí não houve greve, apesar dos líderes cívicos dos dois primeiros terem assinado na segunda-feira a convocação.

Além da greve, seis dos nove governadores regionais bolivianos romperam relações com Morales, há mais de 200 pessoas em greve de fome e os parlamentares opositores não vão às sessões do Congresso, em protesto pelo que denunciam como decisão do Movimiento Al Socialismo de violar a legislação vigente.

À noite, o vice-presidente Álvaro García Linera abriu as portas para a realização de uma reunião de diálogo no domingo: "Recebemos um pedido de diálogo dos presidentes dos comités cívicos, à qual responderemos amanhã (sábado), expondo todos os nossos argumentos", anunciou.

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