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Bloco e utentes dizem “não” às portagens nas SCUT

Governo quer impor portagens nas SCUT"Por motivos económicos, sociais e inexistência de alternativas", o deputado João Semedo do Bloco de Esquerda manifestou-se este sábado contra a instalação de portagens na A28, uma "auto-estrada fundamental para o desenvolvimento da zona Norte Litoral do país". Segundo João Semedo, do Bloco de Esquerda, parece haver "a evidência de que o actual Governo pretende portajar algumas SCUT que passam pelo Porto.

O actual Governo pretende portajar algumas SCUT que passam pelo Porto, como é o caso da A28 (Porto - Valença), da A42 (Porto - Lousada) e da A29 (Gaia - Mira)".

Para o deputado do Bloco, que realiza sábado uma conferência de imprensa para protestar contra a medida, a colocação de portagens, especificamente na A28, não "faz sentido" por dois motivos: a crise económica e inexistência de alternativas.

"O país está numa grave crise económica e por isso não compreendemos como é que este Governo quer incluir estas portagens, sobretudo quando os indicadores económicos não evoluíram", afirmou João Semedo, que acrescentou ainda que esta é uma "medida particularmente infeliz num momento claro de crise".

Para o deputado, a questão não se prende apenas com os "condutores particulares", manifestando também uma clara preocupação "numa perspectiva de desenvolvimento económico onde empresas, serviços e operadores turísticos sairão prejudicados com a inclusão desta portagem".

João Semedo explicou ainda o porquê da inexistência de alternativa à A28, tendo afirmado "que só quem não conhece a estrada nacional 13 (EN13) é que pode julgar que esta é uma hipótese".

 

"A EN13 tem vários constrangimentos e um deles é o facto de haver limitação de velocidade em 75% do percurso entre Viana do Castelo e o IC24", sublinhou.

Como medidas a tomar para combater a instalação de portagens nas SCUT, João Semedo adiantou que o Bloco fará "um trabalho de mobilização popular e uma sensibilização às autarquias afectadas" para que estes tenham uma atitude que rejeite esta possibilidade.

Os autarcas, partidos e movimentos de cidadãos que têm contestado a instalação de portagens nas auto-estradas do Grande Porto iniciam este fim-de-semana uma onda de protestos para sensibilizar o novo ministro.

Preocupado com a eventual instalação de portagens na A28, o presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário Almeida, enviou um ofício ao novo Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, António Mendonça, para expor todo o processo.

"Como é reconhecido, sempre afirmei, em nome pessoal e do município que represento, uma rejeição total a essa hipótese [portagens na A28], que tão gravosa seria para os vilacondenses e para todos os que cá investem ou trabalham", afirmou Mário de Almeida.

No ofício, enviado quarta-feira, o autarca expos todas as questões relativas ao processo de instalação de portagens na SCUT A28, tendo feito o reenvio da comunicação emitida, a 27 de Dezembro de 2006, ao secretário de Estado então responsável por esta matéria.

Mário Almeida solicitou ao ministro António Mendonça a "conveniência de uma visita a Vila do Conde ou, na impossibilidade, uma reunião em Lisboa".

Para sábado está marcada uma conferência de imprensa do Bloco de Esquerda (BE), com a presença dos deputados João Semedo e Pedro Soares, onde o partido se manifestará "contra a introdução de portagens na A28".

Também as Comissões de Utentes Contra as Portagens nas SCUTS do Norte Litoral, Grande Porto e Costa da Prata convocaram para sábado uma reunião onde "será feito o ponto de situação sobre o processo em causa e decididas as medidas mais imediatas a serem tomadas face à nova realidade governativa".

O Conselho Económico e Social (CES), criado pela Câmara de Viana do Castelo, informou hoje que "a luta contra a introdução de portagens na A28 será a primeira medida" a ser tomada.

O CES prevê fazer "diversas diligências para agendar uma reunião com todos os presidentes de Câmara" das localidades atravessadas por aquela via rápida.

No programa de Governo apresentado segunda-feira foi reafirmada "a promessa de manter sem portagens as SCUT, na condição de que estas vias se situem em regiões com indicadores de desenvolvimento social e económico inferiores à média nacional e quando não existam vias alternativas".

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