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Bloco contra "polícia política" de Rui Rio

ruirio_2O Bloco de Esquerda acusa o Presidente da Câmara Municipal do Porto de criar "um clima de coacção e perseguição política a todos os que se lhe opõem" e anuncia que os representantes do BE na Assembleia Municipal do Porto vão entregar, na próxima reunião, uma proposta para extinguir o "serviço noticioso" com que Rui Rio "contamina a imagem da cidade e da autarquia". Em causa está a publicação de um vídeo na página oficial da CMP para provar que David Pontes, director adjunto do Jornal de Notícias, estava na manifestação contra a privatização do Rivoli, utilizando esse facto como arma de arremesso no diferendo que a CMP mantém com aquele jornal.
 

Num comunicado de imprensa, o Bloco de Esquerda afirma que "não é a primeira vez que Rui Rio dá provas de que não respeita as mais elementares regras da democracia", lembrando as ameaças feitas por Rio de que a Câmara não financiará projectos de colectividades que a critiquem. Denunciando o ambiente "concentracionário que se tem abatido sobre a cidade desde que é presidente da Câmara" o Bloco questiona: "que garantias existem de que o "registo policial" dos manifestantes se ficou por aqui e não se estende aos funcionários camarários ou aos presidentes das colectividades locais, desportivas ou artísticas?" E termina declarando que a página oficial da CMP «não deve ser um instrumento político, pago pelos munícipes, para servir os propósitos políticos do presidente da Câmara».

Os factos prendem-se com a recente manifestação, organizada por diversos cidadãos do Porto, contra a privatização do Rivoli, precisamente no momento da estreia da peça de Filipe La Féria ("Jesus Cristo Super Star") naquele teatro. Há dois dias, a página oficial da CMP publicou um texto com o título «JN endurece oposição: Director Adjunto manifesta-se contra a Câmara» e um hiperlink para um vídeo onde aparece David Pontes, jornalista e Director Adjunto do JN, segurando um cartaz com a letra "R", tal como todos os outros participantes na manifestação.

"Numa atitude, até há [sic] data inédita, e empunhando um R na mão, o dirigente do "JN" assumiu, na Praça D. João I, a frontal oposição política à Câmara do Porto e ao seu presidente", lê-se no site da Câmara, que acusa ainda o JN de "deturpar factos e não informar correctamente os leitores"

Para David Pontes, "é intolerável a forma como a Câmara do Porto decidiu dar notoriedade" à sua participação na manifestação. "Fi-lo como cidadão do Porto, em defesa do Rivoli, tal como há dez anos me manifestei em defesa de uma sala chamada Coliseu", afirmou

O Bloco de Esquerda (BE) já avisou que vai pedir o encerramento do «sítio municipal de notícias» na próxima Assembleia Municipal. João Teixeira Lopes, dirigente do BE no Porto, foi duro nas críticas a Rui Rio e considerou mesmo que a estratégia de «afrontar os jornais está a surtir efeitos». «Esta é a pior situação de claustrofobia democrática do país. Só na Madeira existe algum paralelo», frisou, aproveitando para deixar um exemplo: «Estou convencido que existe auto-censura no jornal Público em relação às notícias da Câmara do Porto, pois não é tão acutilante como foi no passado. Isso decorre de um constrangimento provocado pelas posições da câmara».

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