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Batasuna: detenção de militantes é "declaração de guerra"

Manifestação no sábado em San Sebastian para protestar contra a detenção dos 23 independentistas. Foto Lusa/EPA/JAVIER ECHEZARRETAPernando Barrena, porta-voz da organização independentista Batasuna, afirmou em San Sebastian que as detenções de 23 membros do partido feitas na madrugada de quinta para sexta-feira devem ser lidas como uma “declaração de guerra em toda a regra do governo espanhol ao independentismo basco”.
A detenção foi ordenada pelo juiz Baltasar Garzon, depois de relatos que davam conta de uma reorganização do partido ilegalizado para continuar a apoiar a ETA.

Os detidos foram já apresentados à Audiência Nacional, a mais alta instância penal espanhola. O Batasuna está ilegalizado desde 2003, acusado de envolvimento com a ETA. Os detidos são todos membros da nova Mesa Nacional do Batasuna, e foram presos no âmbito do processo de 2002, instruído por Garzón, que investiga a subordinação do Batasuna à ETA e o financiamento da organização através das Herriko Tabernas, controladas por este partido.

Entre os detidos estão figuras proeminentes do Batasuna como Joseba Permach, Rufi Etxebarria e Juan José Petrikorena.

O porta-voz do Batasuna em França Xabi Larralde negou que a reunião interrompida pela polícia tivesse como objectivo renovar a estrutura do partido.

Para a deputada da coligação Nafarroa Bai no Congresso Uxue Barkos os implicados na detenção já foram presos "demasiadas vezes nos últimos anos para que não nos perguntemos se existem outros motivos para além do estritamente judicial".

Questionada sobre as detenções, a vice-presidente do governo, María Teresa Fernández de la Vega, reafirmou o respeito pela justiça, considerando que o governo, no futuro, manterá a vigilância perante "ilegalidades".

Já Angel Acebes, secretário-geral do Partido Popular, disse que as detenções são "uma muito boa notícia", assegurando que "este é o caminho" para derrotar a ETA e que o governo deve agora iniciar o processo de ilegalização de outras forças, incluindo a Acção Nacionalista Basca (ANV).

Para o conselheiro de Justiça do Governo Basco, Joseba Azkarraga, "é muito suspeito que os impulsos nas acções judiciais coincidam com momentos tão transcendentes para a vida política", numa referência à pré-campanha para as eleições previstas para Março de 2008. "É uma hipocrisia política considerar normal que se persiga membros da esquerda basca quando este ano representantes do governo e do PSOE se reuniram com eles para falar do futuro político" do País Basco, disse.

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