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Autoeuropa ameaça com despedimentos

A administração não quer pagar os sábados como trabalho extraordinárioEm declarações ao Esquerda.net, o líder da comissão de trabalhadores da Autoeuropa, António Chora, não acredita num risco iminente de deslocalização da fábrica mas revela que a administração ameaça com o despedimento de 250 trabalhadores contratados se não se alcançar um acordo, que está dependente da forma como será valorizado o trabalho aos sábados.  


Na sequência de notícias que indicavam a existência de uma "ameaça de deslocalização" da Autoeuropa, a administração da empresa veio esta terça-feira esclarecer que não tem qualquer plano de transferência da produção para a Alemanha.
"Não temos nenhum plano de transferência da produção para a Baixa Saxónia, há isso sim riscos que temos de equacionar para o futuro", disse Carmo Jardim, da administração.

Também António Chora, líder da comissão de trabalhadores, diz não acreditar nessa hipótese. "Se há uma fábrica, [a da Alemanha], que tem 120 mil unidades disponíveis, esta podia eventualmente absorver a Autoeuropa. Mas este foi apenas um exemplo do que é hoje o mundo automóvel. Nunca foi uma possibilidade real. E não foi numa perspectiva de ameaça que o director-geral fez essa apresentação".

No entanto, Chora avisa que os trabalhadores enfrentam um risco imediato e que desejam evitar: a ameaça de despedimento dos 250 trabalhadores que se encontram a contrato a termo certo e um hipotético lay-off de uma parte dos trabalhadores com contrato permanente, em consequência da redução da produção de 117 mil monovolumes para 85 mil. Recorde-se que em Janeiro deste ano, a Autoeuropa já prescindiu de mais de 200 trabalhadores que estavam vinculados a uma empresa de trabalho temporário.

A alternativa ao despedimento avançada pela administração implicaria uma paragem de mais 16 dias ao longo do ano, sem redução salarial. Mas os trabalhadores teriam que repor esses dias no futuro, quando existissem picos de produção, compensando os dias da semana em que ficaram parados através do trabalho aos sábados.

No entanto, a troca de dias de trabalho "normais" por dias de trabalho ao sábado prejudicaria os trabalhadores, dado que o trabalho aos sábados tem uma remuneraçao maior. Chora esclareceu que a Comissão de Trabalhadores defende que o trabalho aos sábados, utilizado para compensar os dias da semana em que os trabalhadores ficariam parados, permita também uma compensação monetária.

As negociações vão continuar esta quarta-feira e a administração ameaça que se não for alcançado um acordo pode mesmo avançar para os despedimentos.

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