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Annapolis em navegação à vista

Mahmud Abbas com George W. Bush na Casa Branca. Foto Lusa/EPA/OMAR RASHIDI A conferência de Annapolis, pequena cidade portuária no Maryland, na costa Leste dos Estados Unidos, começou ontem sem que, como é habitual neste tipo de encontros, se tenha chegado a acordo sobre uma declaração final comum. O objectivo de chegar a uma solução sobre as principais questões que marcam o conflito israelo-palestiniano, e que estão por resolver há décadas - as fronteiras dos dois estados a surgir, os refugiados palestinianos e Jerusalém - parecia já afastado. Leia a análise do activista pela paz israelita Uri Avnery

"Temos muita esperança de que esta conferência produza negociações sobre o estatuto permanente (de um Estado palestiniano), negociações ampliadas sobre todas as questões relacionadas ao estatuto permanente entre Israel e o povo palestiniano, um acordo para garantir segurança e estabilidade", disse Abbas.

Por seu lado, o presidente George W. Bush, que procura nesta conferência obter um sucesso diplomático que apague o desastre iraquiano, disse no jantar oferecido aos convidados no Departamento de Estado que "Todos compartilhamos um objectivo comum: dois estados democráticos, Israel e a Palestina, vivendo um junto ao outro em paz e segurança", e alertou para os "compromissos difíceis" que são necessários.

Mas o Conselheiro de Segurança Nacional de Bush, Stephen Hadley, já rebaixou as expectativas, afirmando que "esta não é uma sessão de negociação, vai apenas lançar as negociações".

Estão presentes no encontro delegações de cerca de 40 países, mas muitos pouco ou nada têm a ver com a questão. A presença da Arábia Saudita e da Síria (curiosamente, um país do "eixo do mal") são apontadas, para já, como o único sucesso diplomático a registar.

Ehud Olmert, primeiro-ministro de Israel, disse que o apoio internacional é muito importante: "Espero que sirva para lançar um processo sério de negociação entre nós e os palestinianos."

Em Gaza, o Hamas, que não foi convidado a Annapolis e já avisou que se sentirá vinculado a qualquer acordo, promoveu uma reunião dos seus principais dirigentes para marcar a sua oposição a quaisquer concessões por parte de Mahumud Abbas. "O povo acredita que esta conferência é inútil e que quaisquer recomendações ou compromissos aí feitos, se prejudicarem os nossos direitos, não serão vinculativos para o nosso povo", disse Ismail Hanyieh, que foi primeiro-ministro legitimamente eleito até ser destituído pelo presidente da Autoridade Palestiniana. E acrescentou: "Abu Mazen [Abbas] não representa a maioria do povo palestiniano".

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