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Angola: polícia diz que matou actores por engano

Polícias angolanosDois jovens actores foram mortos pela polícia em Luanda quando filmavam uma cena de um filme sobre delinquência juvenil. A polícia alega que se tratou de um equívoco, mas vários activistas dos direitos humanos não acreditam. Hoje, mais um jovem foi morto a tiro pela polícia numa "operação contra a pirataria discográfica". Em três semanas, a polícia já matou cinco cidadãos à queima roupa. A Amnistia Internacional já tinha denunciado os abusos da polícia angolana em Setembro deste ano.


O porta-voz da polícia confirmou que os agentes mataram os actores, justificando o incidente com "falha de informação".

"Trata-se de um agrupamento cultural, que inclusivamente solicitou o nosso apoio para assegurar a segurança durante as filmagens, mas um mal entendido levou a polícia a agir dessa forma", explicou o porta-voz.

"A polícia, no intuito de apanhar os bandidos em flagrante, utilizou uma viatura não identificada, tendo chegado ao local precisamente no momento em que os dois actores, em posse de armas de fogo, simulavam um assalto, levando os nossos efectivos a disparar", disse o oficial, acrescentando que foram abertos processos-crime e disciplinares, para avaliar a falha da polícia.

Versão que não convence a Frente para a Democracia, organização que luta pelos direitos humanos em Angola. O activista Filomeno Lopes não acredita em equívocos: "chegaram desfardados e começaram a disparar", relatou.

Entretanto, a Polícia Económica angolana (o equivalente à ASAE) matou hoje um jovem e feriu outro, no decorrer de uma operação contra a pirataria discográfica no mercado do Roque Santeiro, em Luanda, disse à Lusa fonte policial.

"As informações que temos é que um dos jovens morreu no local e o outro, com uma bala na cabeça, foi transportado para o hospital", adiantou o porta-voz da polícia.

Em três semanas, são já cinco os casos em que agentes policiais matam cidadãos, sendo a primeira vítima uma vendedora ambulante, morta na semana passada no município de Rangel quando agentes procediam a uma operação para dispersar um mercado ilegal.

Num documento de 28 páginas, divulgado em Setembro, a Amnistia Internacional cita diversos casos cometidos entre 2005 e 2007, incluindo mortes registadas durante as detenções devido a actos de tortura, que continuam até agora impunes. A Amnistia apela ao Governo angolano para que crie legislação segundo as normas internacionais e promova "uma abordagem policial sobre os direitos humanos e ponha fim à impunidade policial nos casos de violação".

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