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Alta Tensão: seminário internacional reafirma princípio da precaução

Helena Carmo e o professor António Bastos Leite foram dois dos oradores no encontro. Foto de André Beja. Clica para ampliarA cidade da Batalha acolheu este sábado um seminário internacional sobre alta tensão e qualidade de vida, que juntou uma centena de pessoas, autarcas e especialistas. A Presidente do Movimento Nacional Contra a Alta Tensão, Helena Carmo, voltou a frisar que a legislação portuguesa tem que ser alterada para proteger as populações.  

O seminário foi promovido pelo Movimento Nacional Contra a Alta Tensão em Zonas Habitadas, da Câmara da Batalha e da Associação de Moradores do Celeiro e Lugares Limítrofes, do concelho da Batalha.

Realizada no auditório municipal da Batalha, a iniciativa foi acompanhada por uma centena de pessoas, oriundas de diferentes zonas do país afectadas pelo problema, autarcas e representantes do Grupos Parlamentares do Bloco de Esquerda e do PCP.

Segundo Helena Carmo, porta-voz do Movimento, o objectivo deste encontro foi, face à incerteza do conhecimento científico, contribuir para a reflexão sobre a temática, de modo a esclarecer a opinião pública e fortalecer a ideia de que a legislação portuguesa sobre a matéria tem de ser alterada.

Na intervenção de abertura do encontro, António Lucas, edil da Batalha, reiterou a necessidade de um estudo epidemiológico para aferir de eventuais riscos para a população da proximidade de linhas de alta ou muito alta tensão.

No painel de especialistas intervieram a Doutora Anke Huss, investigadora da Universidade de Berna, na Suiça, e o Doutor António Bastos Leite, da Universidade de Medicina do Porto.

Anke Huss apresentou os resultados do mais recente estudo da sua equipa, que conclui existir um aumento da probabilidade de incidência de doenças neurodegeneraticvas, nomeadamente o Alzheimer, em populações que habitam a menos de 50 metros de linhas de alta tensão. Esta associação foi confirmada pelo estudo de diferentes grupos em zonas distintas da Suiça, país que tem uma lei muito restritiva no que toca à instalação de linhas eléctrica em zonas habitadas.

Apesar deste estudo se basear uma relação estatística, não concluindo que os campos magnéticos das linhas de alta tensão estão na origem de um risco acrescido de Alzheimer, a especialista defendeu estarmos perante mais um argumento que reforça a necessidade de se seguir um principio da precaução na instalação de estruturas que produzam campos electromagnéticos.

O princípio da precaução foi também defendido pelo professor Bastos Leites, que apontou o conservadorismo da legislação nacional no que toca aos valores de distância de habitações e equipamentos a fontes de Campos Electromagnéticos (CEM).

O Médico apresentou à audiência uma resenha de estudos científicos publicados sobre esta matéria, sublinhando que "existem associações estatísticas sólidas mostrando a relação dos CEM com o aparecimento de patologia", isto apesar de "não se conhecer o mecanismo biológico que o justifique".

A realização desta iniciativa foi saudada por Rita Calvário, representante do Grupo Parlamentar do BE, que, durante o debate, relembrou o papel pioneiro do Bloco nesta matéria, reiterando o compromisso do partido na introdução na lei de medidas preventivas.

Na sala esteve também presente um representante das Redes Energéticas Nacionais (REN), que ouviu em silêncio as críticas que população fez à actuação desta empresa, responsável pelas estruturas de transporte de electricidade em Alta Tensão.

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