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Alemanha: direita perde maioria em 2 estados

Angela MerkelOs governos de direita da CDU perderam a maioria absoluta nos Estados de Thüringen e de Saarland nas eleições deste domingo em três estados na Alemanha. O Die Linke afirmou-se como partido cuja existência e dimensão se impõe cada vez mais à direita alemã e ao SPD.

Por João Alexandrino Fernandes, de Tübingen, Alemanha, para o Esquerda.net

Alemanha: eleições nos Estados de Thüringen, Sachsen e Saarland

Realizaram-se ontem, 30 de Agosto, as eleições nos Estados federados de Thüringen (Turíngia, ex-Alemanha Oriental), Sachsen (Saxónia, ex-Alemanha Oriental) e Saarland (Sarre, Alemanha Ocidental).

O quadro de resultados* é o seguinte:

 

 

CDU

DIE LINKE

SPD

FDP

DIE GRÜNE

THÜRINGEN

(Capital: Erfurt)

31,2%

27,4%

18,5%

7,6%

6,2%

SACHSEN

(Capital:Dresden)

40,2%

20,6%

10,4%

10%

6,4%

SAARLAND

(Capital: Saarbrücken)

34,5%

21,3%

24,5%

9,2%

5,9%

 

 

 

*Resultados oficiais provisórios. Fonte: Frankfurter Allgemeine Zeitung, edição online de 31.08.09.

 

Destes resultados são de destacar:

a) A perda da maioria absoluta dos governos de direita da CDU nos Estados de Thüringen e de Saarland.

b) A possibilidade da formação de governos alternativos nestes Estados, mediante uma coligação governamental entre SPD, Die Linke e Grüne (Verdes), que terá portanto condições para vencer a sempre possivel coligação de direita entre a CDU e o FDP.

c) A afirmação do Die Linke como partido estabelecido, cuja existência e dimensão se impõe cada vez mais à direita alemã e ao SPD. O Die Linke conseguiu reultados acima dos 20% nos três Estados, e em dois deles, Thüringen e Sachsen, foi inclusivamente o segundo partido mais votado.

d) A extraordinária votação no Die Linke em Saarland. O Die Linke concorreu em Saarland como “Die Linke” pela primeira vez, dado que nas eleições de 2004 o partido que existia era ainda o Partido do Socialismo Democrático, sigla PDS, de cujo posterior alargamento o Die Linke nasceu. Nestas eleições, já como Die Linke e apoiando-se na intervenção de Oskar Lafontaine como candidato pelo partido, a votação subiu 19%, de 2,3 % (PDS-2004) para 21,3% (Die Linke-2009). O enorme prestígio de Oskar Lafontaine, que já foi, nos seus tempos de membro do SPD, chefe do governo de Saarland, teve nestes resultados um papel muito importante, que é reconhecido por todos os partidos alemães. A grande votação no Die Linke permite assim, numericamente, em coligação com o SPD e com os Verdes, afastar a CDU do governo.

e) Por último, é ainda de referir que a extrema-direita alemã, o NPD, conseguiu por pequena margem eleger novamente representantes para o parlamento em Sachsen, mas com uma grande perda percentual em relação às anteriores eleições de 2004, descendo de 9,2% para 5,6%.

No que respeita às novas coligações em Thüringen e Saarland, onde será possível afastar a CDU do governo, a hipótese politicamente mais coerente, e que tem sido a mais referida, mesmo já antes das eleições, é a coligação entre SPD, Die Linke e Verdes. No entanto, há ainda outras coligações numericamente possiveis, como por exemplo o próprio SPD vir afinal, contra o que se espera, fazer uma “grande coligação” com a CDU, como sucede em Berlim, ou os Verdes coligarem-se com a direita CDU/FDP, ao invés de o fazerem com SPD/Die Linke. Tudo está ainda em aberto, os partidos vão iniciar agora as negociações.

As eleições para o governo federal, de onde resultará a nomeação do novo chanceler, terão lugar no próximo dia 27 de Setembro.

João Alexandrino Fernandes

 

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