You are here

Advogado pró-direitos humanos abatido em Moscovo

Stanislav Markelov e Anastasia Baburova foram assassinados a poucos metros do Kremlin. Foto Panoramas/FlickrStanislav Markelov era um conhecido advogado das vítimas de torturas e abusos das tropas russas na Chechénia. Foi abatido a tiro esta segunda-feira, junto com uma jornalista, à saída duma conferência de imprensa em que denunciou a libertação antecipada de um coronel russo condenado por assassínio de uma jovem chechena.

 

Foi à saída desse encontro com os jornalistas, já na rua, que Markelov e uma jornalista do Novaia Gazeta que o acompanhava, Anastasia Baburova, foram atingidos mortalmente em pleno centro de Moscovo e a poucos metros do Kremlin. Anastasia era uma jornalista free-lancer e estava envolvida enquanto activista no Fórum Social Europeu e em muitos projectos e campanhas anticapitalistas.

O caso que os levou àquela conferência de imprensa prende-se com o coronel Yuri Budanov, condenado a 10 anos em 2003 por ter estrangulado até à morte a jovem Elza Kungaiva, de 18 anos. O julgamento teve grande relevância por se tratar do primeiro militar de alta patente a ser condenado por violar os direitos humanos. A sua libertação antes de cumprir os 15 meses que lhe faltavam da pena levantou uma vaga de protestos e Stanislav Markelov, enquanto representante da família, reagiu em conferência de imprensa criticando a decisão da justiça russa e prometendo recorrer da decisão de libertar o militar.

A ONG Human Rights Watch (HRW) apela a uma investigação rigorosa deste homicídio de forma a que os assassinos sejam trazidos à justiça. "Para as vítimas dos abusos dos direitos humanos na Chechénia, o nome de Markelov era sinónimo de esperança na justiça. O seu assassinato mostra que aqueles que levantam a voz contra os abusos e trabalham para obrigar os abusadores a prestar contas pelos seus actos, estão a arriscar a vida", declarou Rachel Denber, a directora da HRW para a Europa e Ásia Central.

A HRW chama a atenção para o facto de vários activistas pelos direitos humanos, e em particular os que denunciaram torturas, raptos e execuções extrajudiciais na Chechénia, terem sido assassinados nos últimos anos. Foi o caso, no passado dia 13 de Janeiro, de Umar Israilov, o checheno que apresentara queixa no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos por ter sido torturado pelo presidente Ramzan Kadyrov. Israilov foi morto a tiro em Viena. Já Magomed Yevloyev, que animava a página ingushetiya.ru com relatos de crimes contra os direitos humanos nas operações contraterroristas do exército naquela república, foi assassinado dentro dum carro da polícia, após ter sido levado para interrogatório.

O caso mais conhecido internacionalmente foi o da jornalista Anna Politovskaia, assassinada à porta de casa em Outubro de 2006 e considerada a mais importante voz na imprensa russa na denúncia das violações dos direitos humanos no país. Markelov foi também advogado da jornalista em diversas ocasiões.

Termos relacionados Internacional