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Açores: Milagre da multiplicação das despesas de representação

Dinheiro e bússolaUma auditoria do Tribunal de Contas
detectou que os administradores das empresas públicas
açorianas receberam despesas de representação 14
vezes durante o ano, quando o exercício das funções
ocorre num período de 11 meses, já que todos gozam de
um mês de férias.

 

A auditoria ao Sector Público
Empresarial dos Açores analisou as remunerações
dos gestores públicos entre 2004 e 2006. A única
excepção é a Lotaçor, em que os
administradores recebem 12 vezes despesas de representação.
"Assim sendo, por impossibilidade temporal, desconhece-se a
razão porque a generalidade das empresas abona 14 vezes, por
ano, os seus administradores", observa o Tribunal de Contas.

O Tribunal concluiu ainda que as
empresas EDA (energia eléctrica) e SATA Air Açores são
as que detêm maiores custos com a concessão de
benefícios adicionais aos seus administradores.

O Tribunal concluiu que o valor médio
mensal das remunerações de 2006 rondou os 4.251 euros
para os presidentes e de 3.631 euros para os vogais das
administrações. A maior remuneração
mensal, de 5.825 euros, foi paga ao presidente da Saudaçor,
ligada ao sector da Saúde, seguida da companhia aérea
SATA Air Açores, com 5.650 euros por mês.

Diante dos resultados da auditoria, o
Tribunal de Contas recomendou ao Governo Regional a aprovação
de regulamentação que estabeleça o estatuto
remuneratório dos administradores das empresas do Sector
Público Empresarial Regional "de forma coerente e completa".

À agência Lusa, o presidente do Governo regional dos Açores, Carlos César, disse que "qualquer gestor público nos Açores ganha muito menos -
incomensuravelmente menos - do que qualquer gestor público de uma
empresa de vão de escada no Continente". Mas reconheceu a disparidade constante no relatório do TC quanto a despesas de representação mensais atribuídas por 14 vezes e
não por 11 meses do ano, afirmando que essa situação deve ser "naturalmente corrigida".

 

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