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73 imigrantes morrem de fome e sede ao tentarem chegar a Itália

Os imigrantes morrem muitas vezes no Mediterrâneo, sem conseguirem chegar à EuropaApenas cinco pessoas sobreviveram a 20 dias à deriva num barco, quando tentavam chegar a Itália. Eram todos eritreus e 73 morreram de fome e sede. Os protestos contra a lei que criminaliza a imigração crescem em Itália, a Igreja denuncia a "indiferença". A Liga Norte, o partido de extrema direita que faz parte do governo de Berlusconi, divulga no Facebook um vídeojogo, "rejeita o clandestino", em que o objectivo é afundar embarcações de imigrantes.

Três homens, uma mulher e um rapaz de 17 anos foram os únicos sobreviventes que chegaram a Lampedusa. Segundo eles, saíram da Líbia para Itália, o barco tinha quase 80 pessoas, mas por falta de água e alimentos, pelo calor do dia e o frio da noite, foram morrendo e os sobreviventes foram lançando os corpos ao Mediterrâneo. Sete corpos já foram encontrados.

Mais de dez embarcações passaram por eles, mas só um pescador os ajudou com água e comida.

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), Laura Boldrini, considerando "alarmante" e "chocante" o que aconteceu, declarou:
"O ACNUR ficaria muito preocupado se o endurecimento das políticas governamentais em relação às pessoas dos barcos tivesse o efeito de desencorajar os capitães dos barcos de continuarem a honrar as suas obrigações internacionais marítimas".

A Igreja católica lembrou o Holocausto, no editorial do jornal da Conferência Episcopal: "Quando hoje lemos sobre as deportações dos judeus sob o nazismo perguntamo-nos: seguramente as populações não sabiam. Mas estes comboios cheios, as vozes, os gritos nas estações, ninguém os via nem ouvia? Na época era o totalitarismo e o terror que faziam fechar os olhos. Hoje não. Uma indiferença tranquila, resignada, talvez mesmo uma aversão ao Mediterrâneo. O Ocidente tem os olhos fechados".

O ministro do Interior Roberto Maroni, da Liga Norte, disse que a versão dos imigrantes está por confirmar. O partido do ministro fez da "caça ao imigrante" um macabro jogo que colocou na sua página no facebook, que é gerida pelo filho do líder Umberto Bossi. O jogo intitula-se "Rejeita o clandestino" e consiste no afundamento das embarcações dos imigrantes. Os jogadores ganham pontos afundando barcos, quanto maiores forem as embarcações mais pontos ganham. Na página diz-se, cinicamente, que o objectivo do jogo "é manter o controlo dos clandestinos que chegam a Itália".

Entretanto, aumenta a contestação à lei, aprovada em Maio passado, que criminaliza a imigração (notícia no esquerda.net), que atemoriza as pessoas e fomenta o ambiente de indiferença.

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