You are here

Águeda, trabalhadores acampam à porta de empresa

Trabalhadores à porta da GresmaisOs trabalhadores da fábrica de cerâmica Grésmais, no concelho de Águeda, estão há 5 dias e 5 noites acampados em frente à empresa. Os funcionários acusam a gerência de tentar deslocar a produção para uma fábrica no concelho de Alcobaça e de adquirir maquinaria de mais de um milhão de euros, prometendo não deixar retirar qualquer material e maquinaria do interior da fábrica Em causa está o risco de desemprego e sete salários em atraso.

Segundo o Jornal Regional, Sexta-feira passada, dia 23 de Fevereiro, os trabalhadores da Grésmais, alarmados com as notícias da administração, concentraram-se à porta da empresa e impediram a saída de um camião de material, protestando contra os salários em atraso - nomeadamente subsídios de Natal de 2005 e 2006, subsídio de férias de 2006 e o mês de Janeiro de 2007, perfazendo um total de sete salários.

Tinham sido surpreendidos pela comunicação da administração, anunciando que iam deixar de produzir louça de grés. “Disseram que a partir de segunda feira, os trabalhadores iriam apenas acabar os trabalhos que tinham em mãos”, disse José Paixão, da União de Sindicatos de Aveiro.
Os trabalhadores, por essa altura, receavam não receber os salários e ficaram de vigília todo o fim de semana. Esta semana continuaram em piquete, à porta da empresa, dispostos a lutar pelos seus direitos contratuais e impedir a saída de material e de equipamentos..
“Vamos continuar a lutar pelos nossos direitos. Continuaremos a vigiar a empresa 24 horas atrás de 24 horas”, comentou Paula Cravo, uma das funcionárias da empresa, já com “passaporte” à vista para o desemprego.
Os trabalhadores suspeitam que a descapitalização da Grésmais esteja a ser feita em favor de uma outra empresa do grupo, recentemente adquirida nas Caldas da Raínha  “Vamos tirar isso a limpo”, disse o dirigente sindical José Costa.
 

A GrésMais deve dois terços do subsídio de Natal de 2005, subsídio de férias e Natal de 2006, o mês de Janeiro e Fevereio de 2007, mais os subsídios deste ano, já vencidos. Ao todo estão em causa sete meses de salários, que os trabalhadores não acreditam receber. “A proposta da administração não é muito favorável. E os operários estão fartos de promessas. No entanto, a vigília vai continuar até chegarmos a uma resolução”, disse o dirigente sindical aveirense.

 

De acordo com o jornal Região Bairradina , a administração da Gresmais, em comunicado, nega ter encerrado a sua actividade ou “procedido ao despedimento de quaisquer trabalhadores”, acrescentando que “a mesma continua em plena normalidade, sem qualquer prejuízo ou interrupção”.
No entanto, logo depois afirma que “a Gresmais decidiu encerrar o estabelecimento industrial da Gresval SA que vinha explorando mediante contrato”, que cessou a 31 de Dezembro de 2006. Também neste mês, continua o comunicado, a empresa foi confrontada “com a sentença proferida pelo Tribunal de Águeda, que decretou a falência da Gresval”, ou seja, “a Gresmais não pode continuar a sua laboração, podendo continuar mediante ordem do liquidatário judicial e com o acordo dos trabalhadores”.

Termos relacionados Sociedade