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Eu não sou um profissional da área de psquiatria ou psicologia, mas também considero que é visível a banalização do uso dos adjetivos patológicos no nosso cotidiano, eu mesmo as vezes cometo esse crime. Mas também é visível que a presença de indivíduos com sintomas de psicopatias em postos chaves aumenta no mundo. Numa entrevista ao Bussines Insider, Kevin Dutton, um psicólogo e escritor britânico, disse que algumas áreas atraem mais psicopatas e é onde eles ficam mais à vontade (política, forças armadas e de segurança, altos cargos executivos, etc.).
No artigo, parece que o professor Louçã considera que psicopatias retiram totalmente a capacidade de raciocínio, de lógica e a inteligência de quem sofre desses distúrbios, mas temos que considerar que muitas apenas distorcem percepções, valores e princípios.
De acordo com o neurocientista Ricardo Oliveira da UniRio e do Instituto D'Or (do Brasil), especialista em psicopatias, sociopatas não são particularmente inteligentes, apenas uma minoria deles é, mas essa minoria sobressae-se muito.
O Professor Louçã fala que os objetivos de Putin, de recriar as fronteiras da ex-URSS fazem parte de uma escolha, é óbvio que sim e é óbvio que vemos que seu projeto da grande Rússia tem uma lógica e foi muito planejado, com ações a curto, médio e longo prazos. Por outro lado, essas escolhas não parecem ser brilhantes ou fruto de uma mente superior.
Eu diria também que, para analisarmos as ações de Putin, precisamos olhar os discursos e os textos que Putin tem escrito nesses mais de 20 anos no poder, neles há um forte sentimento de grandeza e superioridade russa, quase megalômano e, cada vez mais, esses discursos mostram que Putin considera-se a personificação do nacionalismo, do governo, do estado, do país e até da nação russa. Para tanto, é capaz de reescrever e inventar a história da Rússia, da URSS e de seus vizinho, para que essa "história" enquadre-se no seus desejos e no que ele acha o que deveria ser e expressar a grandeza da Rússia/Putin.
Valem algumas observações que dizem muito do comportamento de Putin nesses 20 anos de poder absoluto, o isolamento, que me permito definir como paranóico e a vingança contra qualquer opositor ou adversário (políticos, jornalistas, ativistas), transformados em inimigos e considerados e taxados de traidores da Rússia/Putin e que acabam presos ou mortos. Até os que fogem para o exterior têm sido assassinados. O que definiria esse comportamento, um maquiavelismo à enésima potência ou um distúrbio?
A forma que o Professor Louçã trata a guerra de Putin faz-me lembrar o pensamento de Robert McNamara, secretário da defesa de Kennedy e de Johnson, e como ele tratou a guerra do Vietnan. Mcnamara achava que a guerra era algo absolutamente racional, quase cartesiana. Será que podemos considerar que todas as ações de Putin partem de um princípio e uma racionalidade igual? McNamara (como diz-se no Brasil), quebrou a cara e os USA transformaram uma guerra do outro lado do planeta, num país minúsculo (em alguns pontos tem pouco mais de 40km de largura), no maior atoleiro militar de sua história.
É possível separar o maquiavelismo puro de uma psicopatia ou não seria esse maquiavelismo puro uma forma de psicopatia? Especialmente de que tem poder quase absoluto, como os ditadores, os autocratas e afins.
Seria interessante que o Esquerda.Net trouxesse especialistas da área para discutir essa questão.

PS. Perdoem as diferenças de escrita e até de lógica de texto, que são muito diferentes no Brasil e em Portugal.