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A propósito do gerard miller daqui que escreve sobre a "a sua nicarágua" «Numa recente conferência sobre Cuba, o redactor em chefe do mensário Le Monde Diplomatique, Renaud Lambert, concluiu a sua intervenção de uns quarenta minutos com a menção in extremis da palavra «embargo», que ele próprio qualificou de «terrível». Não se ficou a saber mais do que isso. Apenas que é «terrível». Ainda agora me pergunto como é que a elite do jornalismo francês consegue omitir de uma intervenção o aspecto «terrível» da realidade, ao mesmo tempo que foi pontuando a sua intervenção com anedotas sobre o serviço nos restaurantes e sobre a qualidade do alojamento para os turistas. Omitir o terrível, eis o que eu considero terrível.

De resto, no que diz respeito a Cuba, o famoso «embargo» nunca é mencionado, ou então é-o de passagem. Com poucas excepções, vós que me ledes não tereis na realidade a menor ideia acerca do que consiste esse «embargo». Pensais talvez mesmo, tal como os fake jornalistas da AFP, que o embargo já foi levantado. Ou a vossa ignorância total na matéria permite-vos asneiras como «o embargo não existe» ou que «não passa de uma desculpa».

Também no que diz respeito a Cuba nunca serão mencionados os 3.000 atentados perpetrados contra a ilha – o que à escala da França equivaleria a 20.000 atentados. Como uma espécie de compensação jornalística preferir-se-á no melhor dos casos falar apenas nos atentados contra Fidel Castro, o que impõe a ideia de que os criminosos autores destes atentados não agiam senão com um objectivo sumamente louvável, «desembaraçar Cuba de um ditador». Os jovens que pescavam à linha em Caibarien, ou os operários da fábrica bombardeada com bombas incendiárias, ou o turista italiano morto num atentado à bomba num hotel, os passageiros do avião comercial cubano, e todas as 3.000 vítimas destes atentados, talvez tivessem uma palavra a dizer. Mas para tal seria necessário não as deixar cair no esquecimento, nem a elas, nem aos seus assassinos.»