You are here

Add new comment

A posição do PCP não tem que ver com os argumentos apresentados. Os argumentos são os mesmos das confissões religiosas e do chamados "movimentos pró vida". Os mesmos aliás que se bateram contra a despenalização do aborto, onde o PCP assumiu uma posição progressista, pela acção dos seus deputados (Odete Santos foi a face mais visível, secundando a ex-deputada Zita Seabra) e que muito contribuiu para a viabilização da Lei. Ainda no tempo da Ditadura Alvaro Cunhal ousou defender a causa na sua tese de doutoramento.
Dizer que a legalização da morte assistida contribui para que negligenciar os cuidados paleativos, ofende aqueles que lutam por aquele objectivo, e que são pessoas que na sua esmagadora maioria tem vindo a defender o SNS e lutam contra a sua degradação.
O que o PCP pretende com esta posição, na minha opinião, é colher votos no adro e na sacristia. Terá possivelmente a simpatia dos sectores conservadores católicos, e receberá lisonjas até da direita. Mas vai ter poucos votos, que não chegarão se calhar para compensar os que vai perder no seu eleitorado tradicional. É uma forma de tentar passar pelos pingos da chuva, e não tomar partido numa questão que é antes de tudo civilizacional. É não aceitar (ainda) que tudo o que diz respeito ao HOMEM é por ELE que tem de ser decidido. O Vaticano e Meca há muito que estão em decadência. Sendo certo que em Portugal há ainda muitas ratas de sacristia que tem ainda algum poder.