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Assino por baixo, caro Luís Leiria.
A verdade é que a forma de eleição da Constituinte é tudo menos democrática. E tudo indica que Maduro quer manter o poder a todo o custo, sacrificando as liberdades democráticas. A prisão de adversários políticos é o sinal mais claro de uma deriva autoritária do regime. E não me vejam com a estafada história de que fazem parte de uma sinistra conspiração ou que cometeram qualquer outro delito: esse é o argumento típico das ditaduras para prender opositores por delito de opinião. E, se estamos contra o controlo do poder judicial pretendido pelo governo reacionário da Polónia, não podemos aceitá-lo na Venezuela. É certo que a chamada revolução bolivariana suscitou grandes esperanças à esquerda. Mas é altura de nos rendermos às evidências: mais uma vez, falhámos a prova do poder. É certo que Chávez conseguiu grandes avanços sociais, mas fê-lo à custa da alta do preço do petróleo. Ao não mudar a estrutura monoexportadora da economia venezuelana, o modelo estava condenado a falhar a prazo, quando o preço do crude descesse, como veio a suceder. É certo que a oposição, que defende o neoliberalismo e o alinhamento com Washington, venceria umas eleições democráticas e poria em causa algumas conquistas do chavismo. Mas isso faz parte do jogo democrático. Se Maduro, após a sua esmagadora derrota nas legislativas, tivesse permitido o referendo revogatório e o perdesse, a direita acederia ao poder, mas, aí, seria confrontada com as suas divisões e, principalmente, com os mesmos problemas estruturais. Mostraria não ser solução para estes, o que permitiria um futuro regresso ao poder do chavismo. Assim, ou o regime triunfo e se torna numa ditadura ou cai, a direita toma o poder e a esquerda dificilmente o reconquistará nos tempos mais próximos. Em qualquer dos casos, a direita terá sempre mais uma arma de arremesso contra as forças progressistas. Como diz o Luís Leiria, só não vê quem não quer e é altura de dizer que "o rei vai nu" ou, mais propriamente, que "Maduro está podre"!