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Há duas semanas, recebi um telefonema da televenda da Endesa, que queria propôr-me a solução deles, que, segundo as palavras da senhora do call centre, «iria poupar 8% na factura da electricidade». Deixei que ela falasse das vantagens em mudar para a Endesa durante uns minutos, e no final disse que achava a proposta muito interessante, mas, por questões ideológicas, não quero ser cliente de energia eléctrica produzida em centrais nucleares. Enquanto a Endesa persistir em manter as suas centrais nucleares, lamentava imenso mas não podia ser cliente deles. Curiosamente, a reacção da senhora foi um pouco diferente da que eu esperava: disse que iria imediatamente transmitir essa minha mensagem para a administração, e perguntou-me se eu estava disposto a que me telefonassem de novo se algum dia a Endesa deixasse de produzir energia eléctrica a partir de centrais nucleares. Disse que sim, claro, teria todo o gosto em ouvir as propostas deles nessa altura.

Não sei porquê, mas parece-me que a senhora já tinha ouvido este argumento antes!

Se houver mais portugueses a fazer o mesmo tipo de boicote — se isto foi feito à escala nacional, com actuais clientes a cancelarem os seus contratos com a Endesa e a Iberdrola e a mudarem para produtores de energia produzida de fontes que não a nuclear (como é o caso da EDP, mas não é o único operador no mercado) — então pode ser que a Endesa e a Iberdrola revejam as suas posições. Eles não são parvos: a manutenção da central nuclear de Almaraz, especialmente perto da fronteira portuguesa, dá um jeitão para exportar energia barata para Portugal, onde podem competir (com excelentes margens) com a EDP, que tem de produzir energia de outras fontes que são comparativamente mais caras...