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Creio que o problema de Louçã e de uma vasta esquerda, é de chegar a diagnósticos justos e lúcidos mas depois patinar na receita metendo as mãos pelos pés.

Ok, vamos todos concordar com o dr. Francisco Louçã neste ponto: Menos horas de trabalho é bom.

Seria no mínimo, uma forma justa de retribuir a todos, os ganhos globais de produtividade e da riqueza gerada, através de um "pagamento" em horas de liberdade, de lazer e de qualidade de vida. (repare-se que esta é a proposta do RBI que tanto o deixa nervoso).

Louçã relembra a previsão de Keynes: A maior parte do nosso tempo de trabalho hoje seria lazer se aplicássemos esse principio em vez de permitir que seja o capital a açambarcar para si todos os ganhos da evolução.

Este é o diagnostico. Agora a patinagem intelectual:
E amanhã? O que pretende o Louçã fazer concretamente? tem algum plano, alguma proposta coerente?
Ou pretende continuar a sabotar as iniciativas de cidadãos que clamam por democracia e justiça, dizendo que não há "viabilidade económica" para tais luxos? Afinal, quando é que o Louçã pensa revelar-nos o seu plano economicamente viável?

Temos visto o homem a "fazer contas" a lápis a essas propostas para as reprovar limpinho, que nem lápis azul (como o fez a convite dos nossos hermanos do Podemos para riscar RBI do seu programa ).

E que outras vias nos sugere com essas obsessivas continhas?

Ou isto é uma maneira de aguardar pela calada a São Sebastianista salvação da "revolução operária" para instaurar a "ditadura do proletariado" e ser o supra-dono dos donos do capitalismo como ocorre na China, na Coreia do Norte, e na antiga URSS?

Ser dono no lugar dos donos é esse o seu projeto e nada menos que isso? Deixe de marinar a cobiça do PODER pelo PODER!

Comece por apoiar todos os projetos de cidadãos que lutam contra os efeitos nefastos do capitalismo que é este o verdadeiro e salutar exercício do CONTRA-PODER. É este equilibro perfeito de forças gravíticas e centrifugas que mantêm o cosmos de pé.

Menos horas de trabalho?
Boa! Então que tal levantar a proibição das pessoas comprarem tempo de liberdade?

Que tal retirar valor ao dinheiro distribuindo uma parte dele para as pessoas terem mais opções?

Que tal autorizar que outras pessoas possam sobreviver com dignidade vidas frugais e livres, fora da tirania do capitalismo? Fora da obrigatoriedade do trabalho? Fora do trabalho como única via de sobrevivência para quem não vem de boas famílias?

Porque não autorizar que o acesso facilitado ao dinheiro seja para todos em vez de ser um privilégio de classe?

Porque não abrir mão da prerrogativa de esquerda de que quem nasceu pobre só com trabalho e salário compra a sua dignidade?

Essa dignidade, não é um valor intrínseco e inalienável de todo e qualquer ser humano? Ou requer vender o corpo e a alma aos mercados sejam eles comunistas ou capitalistas?

Que tal garantir a todos, necessidades básicas fora de calculismos interesseiros, mesquinhos e rasteiros de fornecimento de trabalho, disfarçados de virtude, imperativo de produtividade, boa moralidade e sociabilidade civilizante?

Que tal a esquerda abandonar esta sua costela inocente de capataz do capitalismo?