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"que todos os homens e mulheres tenham trabalho *se o desejarem*" só é possível (por definição) havendo uma fonte de rendimentos externa ao trabalho que o torne verdadeiramente uma escolha, e não uma necessidade.

Pode parecer que o RBI é para alguns meramente um estratagema para perpetuar o opressivo modelo capitalista, que procura o lucro a todo o custo, pondo valores financeiros à frente do bem-estar das pessoas. Mas tal como questionamos esse modelo, penso ser razoável também questionar o dogma do emprego (i.e. venda de trabalho) como base da determinação de valor humano.

Trabalho por fazer sempre haverá, decerto, mas se trabalho pago escasseia, não fará sentido possibilitar às pessoas fazer trabalho realmente útil e que tenha significado para elas (e não para "a economia"), sem este ter que competir com atividade potencialmente menos necessária/realizante mas economicamente mais lucrativa? Isso sim seria o direito ao trabalho.

Se uma coisa não se pode rejeitar, não é um direito, não é uma escolha. Somos forçados a vender o nosso trabalho sob pena de graves consequências pessoais, e temos que admitir este facto se queremos um debate objetivo e racional sobre este tema.